Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 12/05/2018
Na década de 1960, a urbanização, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho e o acesso a métodos contraceptivos contribuíram para a diminuição da taxa de fecundidade entre as mulheres brasileiras. Contrariando a tendência de queda nos índices de fecundidade do país, a gravidez adolescente no Brasil apresenta taxas mais altas que a média geral da América Latina, que evidenciam as desigualdades sociais e regionais internas, bem como a falta de uma política de planejamento familiar mais eficaz.
Em primeiro lugar, a gravidez precoce se apresenta como um problema social. Segundo dados do Ministério da Saúde, as regiões Norte e Nordeste concentram 46,8% dos casos e, além disso, são predominantes nas famílias de baixa renda, assim, as adolescentes em situação de vulnerabilidade social são as mais afetadas, além de terem suas perspectivas profissionais e intelectuais reduzidas, tendo em vista que a evasão escolar é maior entre adolescentes grávidas. Logo, a condição social desfavorecida não é superada e perpetua-se num ciclo ao longo das gerações.
Ademais, os altos índices de gravidez adolescente indicam uma questão de saúde pública. A Constituição Brasileira e a Lei nº 9263 de 1966 asseguram o direito a métodos contraceptivos, desse modo o índice de 18,144% de nascidos de mães adolescentes em relação ao total de nascidos,conforme dados do Ministério da Saúde, indicam uma falha do Estado em garantir o acesso ou a orientação sobre o uso adequado desses métodos. Além disso, essa negligência impacta a saúde dessas adolescentes, já que podem apresentar sérios problemas durante a gestação, inclusive a morte.
Dado o exposto, é evidente como a condição social menos favorecida e o acesso ao uso de contraceptivos podem influenciar na gravidez precoce. Portanto, é preciso que o Ministério da Saúde desenvolva projetos voltados para o planejamento familiar, principalmente em regiões com predominância de população em situação de vulnerabilidade, por meio de palestras em escolas, discutindo sobre o uso de métodos contraceptivos e sobre a importância de consultar um ginecologista, por exemplo, antes de iniciar o uso dos anticoncepcionais, a fim de promover uma educação sexual mais efetiva e capaz de prevenir a gravidez na adolescência. Assim , será possível reduzir o alto índice de gravidez entre adolescentes e favorecer a autonomia e o desenvolvimento dessas meninas mães que ficam prejudicados.