Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 11/05/2018

O conto “Quantos filhos Natalina teve?” do livro “Olhos d’água” de Conceição Evaristo narra as diversas gestações de uma jovem ainda em desenvolvimento. Fora da literatura, este é um impasse recorrente na sociedade brasileira cujos desafios possuem cunho sócio-cultural e médico.

Observa-se, em primeira instância, a desinformação fruto do tabu gerado sobre a sexualidade. Então, quando Platão afirma que a razão tem dificuldade em atingir o verdadeiro por causa da deformação que os sentidos provocam, metaforiza tal situação, corroborando que o censurado se afirme na contemporaneidade e a falta de diálogo nas famílias sobre este, permaneça.

Em segunda análise, tem-se a complexabilidade médica relacionada à gravidez adolescente, tratada como de alto risco pelos profissionais. Além de ser um entravés no crescimento psicocultural da envolvida, que muitas vezes tende ao abandono escolar e familiar. Natalina, do conto citado, caracteriza sua gravidez como concebida nos frágeis limites da vida e da morte, pela sua diminuta idade.

Em síntese, a gravidez na adolescência tem causas sociais e culturais e consequências severas na vida de uma jovem. Fica claro, dessa maneira, que é papel da família informar sobre sexualidade, por meio de diálogos com os filhos, a fim de prorrogar o início da vida materna e paterna, para não ocorrer a interferência no próprio desenvolvimento dos jovens. Se isso permanecer, mais meninas terão a mesma história de Natalina.