Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 11/05/2018

“Ninguém nasce feito, é experimentando-nos no mundo que nós nos fazemos.” A frase de Paulo Freire, filósofo brasileiro, revela a importância do meio na formação de um indivíduo, assim como da educação na construção desse, nesse contexto é possível dizer que a problemática da gravidez na adolescência no Brasil gira em torno da negligência das instituições sociais no que tange à informação. Assim, faz-se necessário abordar as causas e consequências das gestações precoces.

Em primeiro plano, é importante ressaltar o efeito dos conteúdos circulantes nas mídias sociais, esses, muitas vezes, dotados de conotação sexual implícita ou explícita instigam uma iniciação imatura de atividades sexuais e, majoritariamente, não instrui os jovens. Outrossim, é visível a existência de um tabu na sociedade a respeito do assunto, do mesmo modo que nota-se uma ausência da família na orientação de adolescentes sobre responsabilidades no uso de métodos contraceptivos, visto que essa, frequentemente, atribui apenas à escola esse papel de ensinar. Logo, percebe-se que a vontade desses indivíduos em se autoafirmar por meio das relações sexuais e a carência de educação sexual são fatores que culminam, diretamente, no aumento da gravidez na adolescência.

Por conseguinte, o Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada, IPEA, revela que uma em cada cinco crianças possui mãe com idade entre 10 e 19 anos, o que prejudica, na maioria das vezes, uma formação educacional de qualidade e a inserção dessas mulheres mães no mercado de trabalho. Esse fator se agrava, ainda mais, quando ocorre em famílias de baixa renda ou quando há a ausência do pai da criança, já que assim, podem ser geradas famílias desestruturadas e sem o amparo necessário ao filho e, uma vez que o primeiro meio de socialização do cidadão é a família, se torna mais difícil para a escola interferir na formação do caráter desse. Dessa forma, infere-se que a presença de um elevado número de gravidez precoce no contexto brasileiro tem um impacto coletivo e social, refletindo em diversas esferas da sociedade.

É evidente, portanto, a indispensabilidade de medidas que combatam o impasse. Cabe ao MEC promover palestras com psicólogos e médicos, por exemplo, nas escolas brasileiras de ensino médio, que incluam a participação de pais e alunos a fim de desmitificar o tema e de abrir um espaço para debates, diálogos e conscientização, especialmente, nos lugares com menos acesso a esse tipo de informação. Ademais, é importante a presença de campanhas educacionais nos meios midiáticos que viabilizem o desenvolvimento da responsabilidade sexual nos jovens por meio da divulgação dos diversos tipos de métodos contraceptivos e de aconselhamentos médicos, com o objetivo de prevenir não só a gravidez na adolescência, mas também a propagação de doenças sexualmente transmissíveis.