Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 13/05/2018

A gravidez na adolescência é tema recorrente de discussão no Brasil. Essa conjuntura é reflexo direto da negligencia histórica, dos seguidos governos, em promover o desenvolvimento da sociedade como um todo. Contribui para esse fato também a inexistência de um projeto de construção familiar, que não deixa de ser consequência do subdesenvolvimento da educação social brasileira.

Ao longo da formação da sociedade brasileira, de modo geral, os diferentes governos sempre promoveram o desenvolvimento desigual da sociedade. O Sudeste, de certa forma, recebeu a maior parte do aparato desenvolvimentista; e mesmo dentro dessa região, as camadas mais pobres foram empurradas para os morros e vales (processo de favelização), tudo isso em um período em que a maior parte a população nacional vivia no campo. Todo esse passado sem referências de desenvolvimento racional, fez surgir uma população marginal carente em expectativas de autodesenvolvimento. De fato, em aspectos quantitativos mais relevantes, a gravidez precoce atinge sobretudo a população pobre das periferias das regiões norte, nordeste e centro-oeste do país.

Acometidas também pelas péssimas condições de educação que regem a formação da sociedade, a população marginalizada tende a constituir famílias desestruturadas que geram novos núcleos familiares também desestruturadas, é o caso, por exemplo, de uma adolescente sem renda alguma e que não terminou o ensino médio por conta de uma gestação precoce. Essa é mais uma das consequências do baixo nível de escolarização e escassas metas profissionais vividas pelas gerações imediatamente anteriores, que são agentes de máxima importância para a formação de novas famílias bem organizadas por terem referências relativamente boas, além de expectativas para a construção de um futuro que, claro, possa envolver filhos.

Verifica-se, portanto, que os elevados casos gravidez na adolescência no Brasil estão intimamente relacionados a sua condição de subdesenvolvimento. Dessa forma, é necessário que o governo estabeleça planos de desenvolvimento, sobretudo social, e que aja de forma pontual nas regiões que apresentam péssimos indicadores sociais, como a própria gravidez precoce. A criação de uma agenda desenvolvimentista, atrelada a metas de redução da pobreza e melhoria da educação de modo geral em cidades com baixo IDH é um importante passo.