Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 10/05/2018

Na série estadunidense, “A Vida Secreta de Uma Adolescente Americana”, a protagonista, Amy, conta sua história diante de uma gravidez precoce e todas as situações e perigos que sofreu por conta desse fato. Fora das telas e no contexto atual brasileiro, a realidade se faz parecer com a ficção, já que o número de jovens grávidas têm aumentado nos últimos anos, o que traz consequências para a população como um todo, como aumento no número de órfãos - tendo em vista que muitas mães abandonam seus filhos - e problemas de saúde e sociais que causam impacto aos brasileiros.

Historicamente, ainda no regime do padroado, o Brasil, por forte influência de religiões católicas, acabou por tornar-se um país, predominantemente, cristão. Tendo isso em vista, é indubitável, que a herança perpetuada na nação hoje afeta, significantemente, na visão que a sociedade tem de mundo, situação que somada ao conservadorismo cultural prejudica nas conversas de pais e filhos e consequentemente, muita das vezes, no mal aprendizado deles sobre questões sexuais com amigos e na escola. É notório, pois, que a questão abordada por A. Schopenhauer de que, os limites no campo de visão de uma pessoa afetam seu conhecimento a respeito do mundo que a cerca, é pertinente e se faz presente nas famílias de adolescentes que não possuem conversas e direcionamentos sobre o assunto com seus pais ou familiares, o que leva, corriqueiramente, à gravidez indesejada.

Outrossim, é que consoante ao pensamento de Durkheim de que, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar, é aparente que a atividade sexual tornou-se uma maneira de participação de um jovem a um grupo ou até mesmo, para alguns garotos, a afirmação da masculinidade perante os amigos. Essa realidade, somada ao mal uso de contraceptivos, tende a gerar um maior número de casos de gravidez entre os adolescentes e faz crescer o número de mães solteiras - tendo em vista que, na maioria das vezes o garoto, sem saber como agir, abandona a menina ainda grávida -  o que gera dificuldade na criação dessa criança e, algumas vezes, até o desemparo desse bebê. Uma confirmação dessa situação é a pesquisa feita pela OPAS, que relata, além da saúde prejudicada, o maior indício dessas crianças de serem levadas a marginalidade.

Diante do exposto, é imprescindível, pois, que o Ministério da Saúde e da Educação unam-se e criem documentários com histórias verídicas de mães jovens, com o intuito pedagógico de despertar no adolescente a real problemática de uma gravidez indesejada. Ademais, é cabível também que fragmentos dessas produções sejam passadas em horários nobres da mídia, visando ampliar a visão de pais mais conservadores sobre o assunto e evitar que histórias como a de Amy sejam realidades no Brasil hodierno.