Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 11/05/2018
Segundo dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde, no mundo, uma a cada cinco mulheres engravidará antes do fim de sua adolescência. A partir desse dado, pode-se inferir que uma boa parte dessas gravidezes se passará no Brasil, pois, lamentavelmente o país possui a quarta maior taxa de gestação precoce na América do Sul, informação alarmante de uma problemática que deve não só ser diminuída, como também deve haver o fornecimento de recursos necessários, como saúde de qualidade, para essas jovens.
Partindo desse pressuposto, conforme uma pesquisa de estudantes de psicologia, do Rio Grande do Norte, das 50 adolescentes entrevistadas, com repetição de gestação, 86% delas possuía o ensino fundamental incompleto, evidenciando que a educação pode auxiliar de muitas maneiras na vida dos indivíduos. Em alguns casos, os jovens sabem da existência de métodos que evitam a gestação indesejada, mas há a falta de conhecimento de como usá-los, problema que poderia ser significativamente diminuído se as escolas brasileiras ofertassem no ensino a disciplina de educação sexual, pois é o local onde essas pessoas mais passam suas vidas. Esse conteúdo não serve para incitar seres juvenis a realizar atos sexuais, mas sim ajudá-los nesse processo natural e inevitável do ser humano, para que obtenham noção das consequências que pode acarretar ter um filho na juventude, como por exemplo o atraso acadêmico.
Outrossim, deve-se atentar, a precariedade da saúde pública no atendimento das grávidas adolescentes que requerem atendimento especializado, devido o risco da gestação. Consoante referências do Ministério da Saúde, mais de 70% da população feminina em idade fértil não possui plano de saúde, ficando dependentes do Sistema Único de Saúde (SUS), que está precário atualmente pela falta de investimento, acarretando na insuficiência de leitos, médicos e equipamentos. Diante desse cenário, pode-se notar que as jovens grávidas provavelmente não receberão o serviço necessitado, podendo ocasionar na morte da mãe e de seu filho.
É necessário, portanto, diante dos altos índices de gravidez na adolescência brasileira que o Ministério da Educação insira na grade curricular de estudantes a disciplina de educação sexual, ensinada através de professores de biologia com especializações nessa área, fornecidas também pelo Ministério, para que os jovens sejam mais informados e evitem a gestação precoce, além disso o Ministério da Saúde deve investir mais na saúde pública, com mais leitos hospitalares, médicos e equipamentos, especialmente para essas pessoas que possuem o nascimento de seu filho e a vida em risco, pois é de direito do cidadão a garantia de sobreviver.