Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 11/05/2018

“Toda menina que enjôa da boneca é sinal que o amor já chegou no coração”. A letra Xote das Meninas retrata exatamente a visão errônea de que garotas amadurecem mais cedo, ou que estão prontas psicologicamente e fisicamente para viver um relacionamento ou constituírem família. Tal situação, sempre corroborou para que a sexualização feminina fosse precoce, o que jamais deve ser aceito. Assim nessa mentalidade, muitas meninas iniciam suas vidas sexuais cedo e por desinformação ou descuido acabam engravidando de uma gestação indesejável. Destarte, situações como aborto ou mesmo a perca de sonhos e planos infelizmente acontece diariamente.

É válido lembrar que, a sociedade culpa frequentemente apenas as garotas por ficarem grávidas, mas a realidade é que a gravidez na adolescência muitas vezes não é uma opção, mas sim o resultado de circunstâncias que fogem do controle das meninas. Dessa maneira, sem o auxílio do pai do bebê inúmeras meninas recorrem a interrupção da gravidez, o que ainda não é legal no Brasil. No entanto, clínicas clandestinas oferecem o serviço expondo riscos a saúde da mulher, o que é desumano e inaceitável. Assim, independente da decisão de ter a criança ou não, a mulher deveria ter o direito de escolha e condições médicas para as ambas opções.

Vale ressaltar que, após a decisão de ter a criança as adolescentes deixam os filhos com os pais ou avós para criarem e tentam trabalhar para sustentá-los. Muitas deixam a escola e nunca mais voltam. Essa atitude provoca uma geração de pais inexperientes e confusos, cujos filhos podem se transformar em adultos sem referência. Tal situação, é gerada pela falta de diálogo com os pais que é um ponto forte na vulnerabilidade dos adolescentes à gravidez na adolescência, jovens que conversam com seus pais sobre sexo, proteção e sobre os seus parceiros tendem a não ter uma gravidez precoce.

Fica claro portanto, que essa problemática vem acompanhado a identidade brasileira e por isso deve ser combatida. Para tanto, é necessário que como meio preventivo escolas estejam disponibilizando palestas e aulas de educação sexual, como forma de conscientização social para adolescentes, contando com o apoio da família para que o assunto seja tratado em ambiente familiar. Conta-se também com o auxílio da mídia representando casos de mães adolescentes para que a realidade seja exposta, pois esse assunto não deve ser mais omitido. Assim tratando causas e minimizando efeitos é que daremos liberdade as meninas decidirem seus futuros.