Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 16/10/2019

A animação norte-americana “História das Coisas” relata o ritmo de consumo estadunidense dos anos 2000 e como isso influência no aumento de rejeitos sólidos. Nesse sentido, a narrativa foca no controle irracional do lixo cometido pelos cidadãos e expõe os impactos que essa prática tem provocado no país, tais como: poluição de recursos hídricos e degradação ecológica. Fora da ficção, esse cenário de gestão irregular de resíduos também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um sério problema governamental, visto que – seja pela negligência popular, ora pela ineficiência estatal – compromete a manutenção de ecossistemas e amplia a contaminação atmosférica.

A princípio, cabe analisar o papel negligente da população sob a visão da filósofa alemã Hannah Arendt. Segundo a autora, a sociedade sustenta práticas deploráveis simplesmente por não analisar a repercussão desses atos. Analogamente, na medida em que parte dos cidadãos não repensam a necessidade da compra de produtos e ignoram hábitos de coleta seletiva – como a separação de resíduos secos, úmidos e perigosos –, essas pessoas acabam por omitir ações sustentáveis e impedem o controle racional do lixo antes e após o consumo. Por consequência, tais atitudes, como afirma a Organização Mundial da Saúde, prejudicam a preservação de aquíferos naturais e ecossistemas.

Ademais, além da omissão popular, a ineficiência do governo também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do filósofo inglês John Locke. Segundo o autor, a sociedade, em seu estado de natureza, possui o direito à vida, à saúde e à liberdade, que devem ser preservados pelo governo. Desse forma, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucas políticas coletivas para a gestão segura de resíduos, as quais, frequentemente, não conseguem difundir o potencial econômico do lixo voltado ao aproveitamento energético e industrial, o que dificulta técnicas para diminuir os impactos socioambientais dos rejeitos. Logo, observa-se, cada vez mais, o acúmulo de objetos e a emissão de gases poluentes para a atmosfera nos locais de descarte, como o gás metano.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, ONGs ecológicas, por meio de parcerias com a mídia digital, devem promover campanhas de combate ao controle irregular de resíduos, de modo a divulgar, em redes sociais, vídeos pedagógicos sobre hábitos domésticos de coleta seletiva e informar a localização de cooperativas recicláveis mais próximas de cada região. Desse forma, será possível construir a gestão racional do lixo entre os cidadãos brasileiros e impedir que atos negligentes afetem a natureza. Além disso, o governo, por meio de verbas públicas, deve prestar apoio orçamentário a empresas que exploram o reaproveitamento fabril dos resíduos, a fim de inibir o acúmulo e poluição desses materiais, assim como ocorreu na animação “História das Coisas”.