Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 18/11/2021
“Vi ontem um bicho nas imundícies do pátio catando comida entre os detritos, o bicho não era um cão, não era um gato, não era um rato, o bicho, meu Deus, era um homem”. Ao observar o poema de Manuel Bandeira, pode-se fazer uma analogia à fome e à desigualdade social no século XXI, fenômenos que violam a dignidade dos indivíduos. Nesse viés, dois fatores devem ser analisados : a má distribuição dos alimentos e a ausência de políticas públicas efetivas para o combate às desigualdades sociais.
A priori, é importante ressaltar o quanto a má distribuição dos alimentos é um agravante para a questão da fome no país. Isso porque, mesmo após a Revolução Verde, a qual prometeu acabar com a fome por meio de uma produção cada vez maior de alimentos, ainda existem pessoas, em pleno século XXI, em situação de fome. Diante desse cenário, vê-se que o problema, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, não é a ausência de alimentos, mas a frágil organização na distribuição destes. Por conseguinte, é evidente que tornar o alimento mais barato, por exemplo, com o intermédio de projetos que diminuam os custos atrelados ao transporte de produtos de gênero alimentício, é essencial para reduzir a fome na sociedade brasileira.
Outrossim, a ausência de políticas públicas eficazes para a redução da desigualdade social também contribui para essa celeuma. Constata-se essa realidade por meio do Bolsa Família, um programa que é de extrema importância para garantir o mínimo de dignidade aos cidadãos, mas que, somente ele, não é capaz de reduzir a desigualdade social no Brasil. Nesse âmbito, é urgente a criação de políticas públicas que viabilizem a independência dos cidadãos, para que estes possam sair da zona de desigualdade social a qual são submetidos, devido à violação de direitos básicos, como alimentação, saúde e moradia.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para combater a forme e a desigualdade social. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Economia, elaborar o projeto “Efetivando a dignidade”. Isso deve ser feito por meio de uma proposta enviada à Câmara dos Deputados, o documento deve propor a instituição de uma programa semelhante ao Bolsa Família,no entanto, mais efetivo. Tal ação deve ser realizada com o intermédio de incentivos fiscais para as empresas que comprovarem, com relatórios anuais, a contratação de pessoas de baixa renda em seu quadro de funcionários, de acordo com a Consolidação das Leis Trabalhistas , a fim de possibilitar aos cidadãos condições de vida mais dignas. Dessa forma, " O bicho" estará presente apenas no passado da história brasileira.