Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 20/10/2021
Na obra Utopia, de Thomas More, o autor descreve uma sociedade perfeita, na qual todos têm os mesmos direitos e prevalece a igualdade entre os indivíduos. No entanto, a obra difere do real, isto é, as desigualdades sociais são abundantes hodiernamente e, sob a ótica do capitalismo, os mais pobres não possuem acesso aos mesmos recursos que os mais ricos, o que perpetua a fome no Brasil. Desse modo, é correto dizer que a fome é fruto das desigualdades sociais que, por sua vez, resultam do descaso do Estado e da concentração monetária.
Em primeira análise, de acordo com a Constituição federal de 1988, é dever do Estado garantir aos indivíduos condições de saneamento básico adequadas, nas quais se encontra o combate à fome. Entretanto, é comum que moradores do sertão nordestino migrem para regiões metropolitanas por falta de água tratada e de comida, fato que evidencia o descaso do Estado, pois mesmo sob obrigação constitucional, ocorre a manutenção das desigualdades sociais, da seca e da fome no país.
Em segunda análise, segundo o sociólogo Émile Durkheim, os indivíduos sofrem uma coerção social por valores estabelecidos ao longo da história de sua sociedade, o que determina suas ações. Destarte, é possível associar a negligência dos mais ricos para com as desigualdades sociais e a fome aos ideais capitalistas estabelecidos historicamente, ou seja, no lugar de distribuírem seus excedentes de renda com os mais necessitados, ocorre o acúmulo de mais capital e, por isso, há a manutenção da fome.
Portanto, uma vez que o descaso estatal e a concepção capitalista do acúmulo monetário perpetuam as desigualdades sociais e a fome, é necessário mudar tais práticas. Para tanto, o Congresso deve elaborar uma lei que taxe a renda dos mais ricos e distribua entre os mais pobres, através de um programa social que fiscalize diretamente os lucros da população em geral( o que determinaria quem se encaixa para doar ou receber ). Por fim, o Estado iria agir, os mais ricos contribuiriam, as desigualdades sociais seriam equilibradas e a fome iria diminuir.