Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 15/10/2021

“A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago.” Esse trecho pertence ao livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, escrito por Carolina Maria de Jesus, o qual aborda temas como a fome e a miséria, infelizmente ainda recorrentes na atualidade. Esse cenário é mantido no Brasil pela desigualdade social, pelo constante desperdício de alimentos e pela falta de conscientização e instrução da população.

Em primeira análise, pode-se citar o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018”, elaborado pela FAO (A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), agência vinculada à ONU, o qual revelou que 5,2 milhões de brasileiros passaram fome em 2017. Essa situação decorre não da falta de alimentos em si, mas sim da dificuldade de acesso a produtos de qualidade e baratos, além da grande quantidade de comida desperdiçada. Segundo uma pesquisa da Embrapa, em parceria com a FGV (Fundação Getúlio Vargas), 41,6 quilos de alimento são desperdiçados por pessoa a cada ano, no Brasil. Essa informação sugere que mudando hábitos de consumo e atitudes, o que atualmente é descartado poderia servir para alimentar outros indivíduos, garantindo segurança e qualidade de vida a todos.

Em outra análise, destacam-se exemplos internacionais, entre os quais o da Alemanha. O país europeu, por meio do projeto “Bom demais para o lixo”, criado pelo Ministério da Alimentação e Agricultura, promoveu em 2017 uma premiação visando a reconhecer iniciativas inovadoras acerca de sustentabilidade no setor alimentício. Casos como o da Knödelkult, empresa que prepara tradicionais bolinhos alemães com pães que não foram vendidos nas padarias locais, comprovam que, com um pouco de criatividade, consegue-se reduzir o desperdício, o que é um grande passo rumo ao combate à fome.

Com isso, que essa é uma questão urgente no Brasil. Para que haja uma melhora nos atuais indicadores é preciso, entre outras resoluções, que a sociedade incorpore atitudes simples, mas efetivas, no cotidiano, por exemplo, evitar compras por impulso, reaproveitar as sobras e apoiar ONGs (Desenvolva a sigla) como a “Amigos da Sopa” em Florianópolis, que distribui alimento a pessoas em situação de rua. Claro que continuará a ter pessoas passando fome mas fazendo mas fazendo iiso creio que a taxa de pessoas com fome baixará drasticamente.