Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 30/08/2021
Carolina de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, em seu livro “Quarto de Despejo”, descreve a aflição, o sofrimento, a apetência e as consternações dos indivíduos que vivem nas comunidades pobres de São Paulo. Todavia, a inópia pormenorizada por Carolina também está presente na vivência de outros cidadãos brasileiros. Por isso, é preciso debater sobre a fome e a desigualdade social no século XXI, que se intensifica, assustadoramente, ano após ano no Brasil. Perante o exposto, torna-se impreterível atuar para retroceder essa triste e cruel situação, que tem como impulsionador a invisibilidade e a negligência governamental.
Sob esse viés, pode-se apontar como um fator fermentador do problema a invisibilização. Nessa conjuntura, Zygmunt Bauman considera a falta de visibilidade correspondente ao perecimento, em razão da humanidade viver no século da informação. De fato, a invisibilidade está presente no quadro da fome e da desigualdade social no século XXI, uma vez que, segundo o Ministério da Cidadania, 39,9 milhões de pessoas já vivem em extrema pobreza no Brasil, uma dado alarmante que uma pequena parcela da população tem conhecimento. Sendo assim, é plausível reconhecer a necessidade de uma maior disseminação das informações, para que essa contrariedade não se torne uma fatalidade desastrosa0. Logo, é incontestável que a invisibilidade está presente no problema e precisa ser combatida, para que o povo não sofra com o desequilíbrio e a apetência.
Além disso, outro ponto relevante nessa temática é a negligência governamental que está, vigorosamente, presente no problema.. Diante desse cenário, de acordo com Hederaldo Montenegro, “O papel e função do Estado deve ser de proteger os indivíduos ou deixará de cumprir sua essência fundamental”. No entanto, o Estado tem descumprido sua atribuição de salvaguardar seus cidadãos ao deixar se desenvolver na sociedade a fome e a desigualdade social, dado que um relatório da riqueza global do Banco Credit Suisse revelou que 1% dos mais ricos concentram 49,6% de toda a riqueza do país. Dessa maneira, é possível perceber que no Brasil existe uma grande concentração de renda, que por sua impetuosidade se torna um agravante da problemática. Em face do exposto, hà, efetivamente, uma relação entre a omissão do Estado e a orexia, por esse motivo é preciso combater a desproporção que está entranhada na sociedade brasileira.
Infere-se, portanto, que o caminho para combater a fome e a desigualdade social é muito difícil e pedregoso. Para isso, o Estado deve fazer um investimento pesado em educação para os indivíduos em situação de vulnerabilidade, por meio do Ministério da Educação, a fim de promover oportunidade de emprego e ascensão social e, consequentemente, diminuir a omissão governamental. Tal ação pode, ainda, contar com o apoio do Ministério Público em defesa dos interesses indisponíveis para essa classe desfavorecida. Por consequência, será possível perceber a recessão no processo de miséria que Carolina de Jesus narrou.