Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 26/08/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a fome e a desigualdade social no XXI apresentam barreiras as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do negligenciamento de políticas pública, quanto da falta da empatia pelo próximo. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Sob esse viés, destaca-se que a fome e as desigualdades têm aumentado significativamente na sociedade, por conta da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que caibam tais recorrências. Segundo Thomas Hobbes, pensador e autor da obra “Leviatã”, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido a baixa atuação das autoridades que não se mobilizam para erradicar essas mazelas que têm levado milhares de pessoas à morte. Conforme dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a fome tem tomado proporções mundiais, além de que a ONG expõe as desigualdades em que muitas pessoas vivem, enquanto uma minoria desfruta da maior parte das riquezas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, ressalta-se a baixa relevância dada às pessoas que vivem a fome e a desigualdade, como promotor do problema. No contexto da Revolução Gloriosa de 1689, Isaac Newton, criador das três leis da dinâmica, define, na terceira lei, que cada ação gera uma reação. Nesse sentido, é nítido que parte da sociedade não tem dado atenção à miséria do próximo e, devido a atitudes apáticas, acabam colaborando, indiretamente, para o fracasso e a morte desses necessitados. Bom exemplo são as pessoas que, no dia a dia, pedem alimento na frente de mercados, onde, em muitas vezes, não são ouvidas. Tudo isso, retarda a resolução do empecilho, contribuindo para perpetuação dessa conjuntura.

Assim, medidas holísticas são necessárias para conter o avanço da problemática. Destarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se que o Ministério do Desenvolvimento Regional – órgão do Governo Federal responsável por formular e conduzir políticas para desenvolver de forma integrada à nação –, em conjunto com o Ministério da Economia, promova a construção de centros de acolhimento aos moradores de rua, além de realizar a entrega de cestas básicas. Além disso, compete ao Ministério da Cidadania, através de parcerias público-privadas, promover campanhas que estimulem a sociedade a se compadecer da situação que se encontram muitas pessoas carentes, com o fito de ajudá-las, podendo, assim, alcançar uma sociedade semelhante à da “Utopia” de Thomas More.