Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 13/08/2021

Sob a perspectiva do sociólogo francês Émile Durkheim, em uma solidariedade orgânica, para haver harmonia, cada parte do corpo social teria de cumprir sua função, a fim de que não ocorra uma patologia social. Não obstante, quando se observa a deficiência de medidas na luta contra a fome e desigualdade social, verifica-se que essa visão é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Dessa maneira, é evidente que a problemática se desenvolve não só devido à concentração de renda, mas também a cultura do desperdício diante desse quadro alarmante.

Em primeira análise, cabe analisar a concentração de poder para combater a desigualdade econômica e a carência de infraestrutura produtiva. De acordo com o romancista e poeta francês Victor Hugo, o progresso roda constantemente sobre duas engrenagens. Faz andar uma coisa esmagando sempre alguém. Paralelamente, nota-se uma relação supracitada, visto que, pessoas desprovidas de renda geralmente se encontram em dificuldades tanto para comprar como para produzir seus alimentos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, desperdício de alimento também pode ser apontada como promotora do problema. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), um terço dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados todos os anos, sendo 40% ainda estão em perfeitas condições de serem consumidas, o que contribui para elevar o preço desses produtos assim dificultando o acesso pelas pessoas com menor poder aquisitivo. Destarte, tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a cultura do desperdício contribui para a perpetuação desse cenário caótico.

Depreende-se, portanto, que é imprescindível a mitigação dos obstáculos para combater a problemática. Assim, o Estado deve planejar reformas no sistema tributário, reduzindo o peso da tributação sobre o consumo e aumentando o peso sobre o patrimônio e renda do topo da pirâmide social. Além disso, o ministério da Educação deve promover ações educativas que visam a conscientização na diminuição das perdas e desperdícios, com o objetivo de promover uma mudança no padrão cultural, criando assim, uma cidadania mais consciente. Dessa forma, poder-se-á diminuir, gradativamente, essa patologia social prevista na teoria de Durkheim.