Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 15/11/2020

A desigualdade entre a população brasileira e os desdobramentos desta condição, como a persistência da fome, são temáticas importantíssimas na atualidade. Deste modo, é necessário compreender a razão central para isto: o avanço desenfreado do sistema capitalista. Consequentemente, observa-se o mau desenvolvimento da saúde humana e a perpetuação do ideário do capital como os desdobramentos mais cruéis dessa situação.

Inicialmente, a má nutrição durante o desenvolvimento primário do corpo humano pode causar diversas sequelas. Isto se dá porque o desenvolvimento cognitivo, que acontece principalmente nos primeiros anos de vida, exige do corpo uma grande quantidade de água e nutrientes essenciais. Por consequência, a parcela da sociedade que vive em condição de subnutrição e/ou fome, carrega o mau estabelecimento de sua saúde como variável para o resto da vida. Um exemplo claro da gravidade desta temática no Brasil é a saída do país do mapa da fome mundial, estabelecido pela Organização das Nações Unidas, somente no ano de 2014, mesmo depois da aplicação de uma série de avanços tenológicos à agricultura nacional.

Desta forma, a situação de desigualdade social agravada em que se vive, eterniza ideais que favorecem a parcela dominante da sociedade. O motivo disso é o controle cultural que as grandes marcas e até o Estado exercem na população. O teórico político Mikhail Bakunin, ao realizar uma crítica a filósofos liberais, disse que liberdade sem igualdade é privilégio e injustiça. Neste sentido, ao analisar inclusive os discursos que idealizam uma liberdade imaginária no atual sistema, conclui-se que a meritocracia imposta é inválida, já que nenhum cidadão parte de condições iguais para estabelecer seu futuro. Ilustra-se nesse panorama a pesquisa realizada pelo IBGE e publicada pela Folha de São Paulo em 2020, em que se concluiu que 10% da população mais rica fica com 43% da renda nacional, demonstrando a clara diferenciação de condições de vida no Brasil atualmente.

Diante do exposto, faz-se necessário sanar as problemáticas ligadas à desigualdade social no Brasil e o avanço do sistema capitalista. Para isto, o proletariado brasileiro, por meio de todos os sindicatos, deve unir-se, planejar democraticamente a destituição de todos os meios de produção ligados à atual burguesia brasileira e desenvolver, por meio de voto um sistema que socialize a produção do trabalho da cultura e consequentemente do ideário nacional. Somente assim será possível desintegrar a ideia presente no senso comum, de que é natural o sofrimento em um ser humano, em função do lucro de outro.