Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 15/11/2020
A Constituição Federal de 1988 garante a todos os indivíduos o bem-estar físico, mental e social. Contudo, essa não é uma realidade brasileira, visto que o índice de pessoas na miséria é alarmante. Sob esse aspecto, dois fatores não podem ser negligenciados: a normalização da situação de miséria e a ineficiência governamental em reverter a situação. Dessa forma, devem ser tomadas medidas cujo objetivo sejam tentar solucionar esse imbróglio.
Em uma primeira análise, vale ressaltar que a raiz desse problema não é constitucional. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 14 milhões de pessoas em condições de miséria, sendo que as melhorias no mercado de trabalho não chegam a esse grupo social. Nesse ínterim, essa parcela social não possui as mesmas oportunidades e motivações em obter trabalho e uma condição digna de vida, ficando as margens da sociedade e, na grande parte das vezes, esquecidas. Além disso, segundo Hanna Arent, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, o que demonstra que a baixa abordagem sobre o tema corrobora à perpetuação da problemática.
Concomitantemente, soma-se ao supracitado que a inobservância governamental agrava a situação. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, um terço do que se é produzido é desperdiçado diariamente. Partindo desse pressuposto, esse cenário está relacionado com a frase de Thomas Hobbes que diz que o homem é o lobo do próprio homem, já que a situação atual possui um caráter nocivo, pois a falta de políticas públicas eficazes com o objetivo de reduzir o desperdício de alimentos leva a prejuízos econômicos e sociais, uma vez que menores índices de desperdício contribuiriam para reduzir a fome no país.
Impende, portanto, medidas intervencionistas governamentais. Urge que o Governo Federal, através de verbas oriundas do Tribunal de Contas da União, financie campanhas de cunho informacional, através de palestras em escolas e propagandas midiáticas, com o objetivo de conscientizar a população sobre a necessidade de abordar mais sobre esse tema nas comunidades, além de influenciar um consumo mais consciente e com menor desperdício de alimentos. A partir disso, a problemática será amenizada e a qualidade de vida social melhorada gradativamente.