Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 15/11/2020

O período da República Oligárquica Brasileira do final do século XIX e início do século XX foi marcado pelo poder político e econômico concentrado na mão da elite agrária do país. Dessa forma, o Brasil cresce em uma estrutura baseada em latifúndios com produção voltada para o mercado externo, trazendo como consequência a má distribuição de terras e dependência da agricultura de exportação. No século XXI portanto, nota-se os impactos como a fome e a desigualdade social resultantes do processo ineficaz de distribuição do território brasileiro.

Em primeiro lugar, não somente no Brasil como também em grande parte do mundo, o acesso ao solo fértil pelas famílias de baixa renda é muitíssimo restrito e muitas vezes inviável. Torna-se possível notar essa verdade através das revoluções como a Revolução Mexicana, que apresentou caráter popular e fixada em pautas como a reforma agrária, visto que a população encontrava dificuldades para o plantio de subsistência. Não longe dessa realidade está o Brasil do século XXI, inserido em um contexto no qual a população de baixa renda não encontra maneiras de atingir a nutrição necessário para a dignidade como cidadão.

A segunda meta, dentre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), é a chamada “fome zero”, pautado sob o discurso de uma agricultura sustentável capaz de atingir as famílias mais vulneráveis. No entanto, o cumprimento dessa meta depende da cooperação de todos países e principalmente dos membros mais influentes dentro da organização, visto que a maior concentração de riquezas está nesses países, ou seja, na Europa e América do Norte. Essa riqueza porém não chega de fato nos países subdesenvolvidos e diante disso o filme “O menino que descobriu o vento” é capaz de expressar a realidade das famílias em estado de vulnerabilidade nutricional. A trama apresenta uma família que, assim como seus vizinhos, dependem da plantação para se alimentar, no entanto a falta de investimento em recursos hídricos faz com que o solo se torne improdutivo, gerando fome e muito conflito na região.

É evidente, portanto, que a desigualdade social traz, dentre as diversas consequências, a fome como um expressivo problema para a sociedade mundial. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Cidadania garantir a segurança financeira para o consumo de alimentos através da criação de um programa de auxílio para as famílias em necessidade, bem como para os cidadãos em situação de rua.