Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 14/11/2020
No filme “O Poço”, da plataforma de streaming Netflix, é retratado um futuro distópico, baseado em uma prisão vertical, na qual os de cima comem melhor, enquanto os de baixo lutam pela sobrevivência. Nesse sentido, fora da ficção, torna-se evidente que tal prerrogativa está intimamente relacionada ao cenário hodierno, visto que a fome e a desigualdade social são problemáticas cada vez mais presentes no século XXI. Diante disso, entre os fatores que condicionam a permanência dessa temática, encontram-se a má distribuição dos recursos, bem como, por consequência, o desperdício de alimentos.
Em primeiro plano, cabe salientar que a Revolução Verde permitiu a disseminação de novas sementes e práticas que permitiram um vasto aumento na produção agrícola a partir da década de 1960. Todavia, mesmo com a superprodução alimentícia, a fome continua sendo um entrave no contexto atual, uma vez que o problema se concentra na distribuição dos recursos. Isso ocorre devido ao intenso contingente de alimentos que é exportado, em sua maioria, para países desenvolvidos e áreas urbanas, graças ao seu alto valor agregado e ao lucro gerado. Dessa forma, a camada mais emergente do planeta que possui um elevado déficit financeiro acaba sendo limitada da compra de tais nutrimentos.
Por conseguinte, com a concentração de tais suprimentos em certas áreas do globo, ocorre também um intenso desperdício desses alimentos. Nesse viés, conforme exposto pelo jornal “Politize”, em 2016, das 4 bilhões de toneladas métricas de comida produzidas, um terço foi desperdiçada, o que já seria o suficiente para alimentar 870 milhões de pessoas subnutridas, o que excede o número de pessoas de fato passando fome mundialmente. Logo, urge que medidas sejam tomadas o quanto antes, com o fito de reverter esse quadro de desigualdade social e, assim, melhorar o contexto dessa parcela da população.
Em suma, diante dos conflitos abordados, cabe ao Estado, como mantenedor da ordem, progresso, leis e bem-estar civilizatório, investir em programas que tenham por finalidade oferecer cestas básicas para famílias que têm esse direito negligenciado, bem como criar campanhas que alertem sobre a prática do desperdício de alimentos, divulgando-as nos diversos meios midiáticos, como TV e redes sociais. Tais ações poderiam ser realizadas por meio da alocação de recursos do Ministério da Economia, com o intuito de amenizar o quadro da fome e da desigualdade existente em todo o território. Com isso, pode-se almejar uma sociedade mais isonômica e diferente daquela demonstrada na distopia “O Poço”.