Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 14/11/2020
Promulgada pela Organização das Nações Unidas, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi um importantíssimo documento no que concerne às garantias dos direitos e deveres universais dos seres humanos. Dentre esses direitos, destaca-se o artigo que garante a todos os indivíduos as condições básicas de saúde e bem-estar social. Entretanto, evidencia-se que tal direito não é respeitado na prática, uma vez que a fome e a desigualdade social mantêm-se presentes no século XXI, seja pela ausência de leis eficazes que permitam maior equidade entre os indivíduos de diferentes nacionalidades ou pela má distribuição dos mantimentos básicos ao redor do mundo.
Em primeiro lugar, destaca-se a desigualdade social como impulsionadora da fome mundial. Tal fato é evidenciado historicamente por meio do estudo das relações verticais existentes entre as antigas metrópoles em relação às suas colônias espalhadas pelo mundo. Ou seja, privilegiaram-se as regiões centrais em detrimento da exploração das periféricas. Dessa forma, o que existe hoje em termos de relações internacionais é semelhante ao exposto anteriormente, haja vista que a maioria dos países da África encontram-se no Mapa da Fome. Isso ocorre devido ao fato de este ter sido o último continente a passar pelo processo de “descolonização”. Portanto, leis de equidade social devem ser reforçadas a nível mundial para combater tais desigualdades entre os homens.
Ademais, evidencia-se a má distribuição no que tange ao transporte de alimentos para regiões carentes como um impulsionador da fome global. Segundo relatórios da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), atualmente, produz-se muito mais alimentos do que o necessário para que todos tenham suas necessidades básicas satisfeitas. Entretanto, a maior parte desses mantimentos são transportados até os “países desenvolvidos”, o que diminui a quantidade de alimentos destinados aos países presentes no Mapa da Fome, fato que acentua ainda mais as desigualdades sociais atuais e que deve ser combatido de imediato.
Torna-se evidente, portanto, que ainda há diversos entraves no que tange ao combate à fome e à desigualdade social ao redor do mundo. Destarte, cabe à Organização das Nações Unidas efetivar os direitos garantidos pela Declaração Universal, por meio da concessão de vantagens diplomáticas aos países desenvolvidos economicamente que destinarem uma parte considerável de seus alimentos aos países subdesenvolvidos. Atrelado a isso, deve-se intensificar a pressão internacional para que os países adotem políticas que visem ao combate à desigualdade social, como, por exemplo, a implantação de programas de redistribuição de renda e redução de impostos para as pessoas mais necessitadas. Tudo isso deve ser feito a fim de que a fome e a desigualdade social sejam atenuadas.