Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 15/11/2020
O livro “Rebel”, da escritora Marie Lu, retrata um futuro distópico em que o continente da Antártida é dividido entre os Andares do Céu, composto pela elite, e a Cidade Inferior, onde moram as pessoas na linha da pobreza. A medida que os habitantes executam determinadas ações, eles podem aumentar ou diminuir seus níveis socioeconômicos. Fora da ficção, a conjuntura em questão, infelizmente, é uma realidade. A configuração de tal cenário se dá a partir da análise da fome e da desigualdade social que perpetuam no século XXI. Logo, é urgente a reversibilidade das instâncias que envolvem a problemática.
Primordialmente, no Período Colonial, a produção de cana-de-açúcar foi um dos produtos que se destacou como essencial para o lucro de Portugal. No entanto, não favorecia diretamente os moradores das colônias, pois era exportado para outros países. Nesse sentido, o aumento da produção de alimentos se mostra ineficaz para erradicar a fome no mundo, tendo em vista a forma como ocorre a sua distribuição. Com os grandes centros urbanos sendo, diretamente, mais favorecidos. Ademais, embora o Brasil tenha saído do mapa da fome em 2014, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 5,2 milhões de pessoas passaram fome em 2017.
Não obstante, a desigualdade social segue sendo um agravante para o desenvolvimento dos países. No filme americano “Star Wars”, o personagem Anakin, enquanto criança, é vendido como escravo, sem direito a educação ou ascensão social. É possível perceber as distinções que ocorrem em virtude das classes sociais a que cada personagem pertence. Assim como na distopia, fora da ficção, as hierarquias sociais fazem com que a desigualdade continue perpetuando na sociedade, o que propende a fazer com que a igualdade econômica e social se torne algo cada vez mais distante do século XXI. Portanto, mediante os fatos expostos, medidas são necessárias para resolver os impasses. O Poder Público deve renovar programas que visem a distribuição de renda e de alimentos, como o Bolsa Família, para que por meio dele, mais pessoas consigam ter acesso, proporcionando, assim, mais oportunidades para o futuro, que englobem educação de qualidade e melhores empregos. Além disso, cabe aos veículos de comunicação, em parceria com organizações não governamentais, investirem em campanhas, que busquem fazer a população repensar os desperdícios de alimentos e por meio de doações, levar alimentos para pessoas que vivem em situações de pobreza extrema. Dessa forma, o Brasil poderá contornar o cenário desigual em que vive, fazendo com que o futuro distópico de Rebel continue sendo apenas ficção.