Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 13/11/2020

Manuel Bandeira, em seu poema O Bicho, revela sua indignação ao ver um ser humano se comportar como um animal ao procurar comida no lixo. O escritor no texto faz uma critica acerca da condição de indivíduos que não possuem poder aquisitivo, em detrimento de outros, que são abastados economicamente, evidenciando a desigualdade social existente. Sob esse contexto, é fundamental tomar medidas, principalmente por meio do cumprimento de leis, para reverter o contexto desigual e a fome no século XXI.

Inicialmente, é importante destacar que a falta de rigor das leis estatais contribuem para a manutenção da desigualdade social e a fome. A esse respeito, o Artigo 5 da Constituição Federal de 1988 garante que todos os indivíduos são iguais perante às normas do Estado, e por isso, têm direitos sociais igualitários, independente da renda que possuem. No entanto, essa situação se restringe à teoria, pois na prática, grande parte da população vive sem acesso ao alimento, e esse impedimento é mediado pelo poder aquisitivo do indivíduo. Nesse cenário, torna-se fundamental transferir para o real o que está escrito na Carta Magma, para que todos os brasileiros possam ser cerceados de qualidade de vida, e não apenas os que configuram o quadro atual de privilegiados - os ricos.

Além de cumprir o que está previsto na Carta Constitucional, outro fator que pode mitigar a desigualdade social é incentivar a educação. A escolarização, que também é um direito previsto em lei, não é entregue a todos os brasileiros de forma igual. Isso ocorre porque muitos desses que estão na idade de frequentar a escola precisam abandonar o ensino para entrar no mundo do trabalho, e isso acarreta a evasão escolar. O IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- apurou que cerca de três em cada cinco adultos não completaram o ensino primário na região Norte do país. Nesse viés, torna-se notório que é impossível diminuir a desigualdade social enquanto permanecer no Brasil a falta de políticas públicas que possibilitem o ensino, como a oferta de auxílios financeiros para o estudante, e que seriam fundamentais para interromper o ciclo da pobreza – filho de pobre sendo sempre pobre.           Logo, é evidente que medidas precisam ser tomadas para reverter a desigualdade social no Brasil. Para isso ocorrer, é necessário que o Governo Federal, por meio do Poder Legislativo, crie uma lei para subsidiar alunos de escolas públicas, como já ocorre com as universidades federais, que oferecem auxílios financeiros para os estudantes vulneráveis ,e entreguem àqueles que necessitem de ajuda para não abandonar a instituição educacional para trabalhar. Isso ocorrerá a fim de permitir que todos tenham acesso à educação digna e assim possibilitar que a diferença socioeconômica existente seja extinta. Assim, sendo otimista, a situação retratada por Manuel Bandeira poderá parar de ocorrer.