Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 14/11/2020
“Vida de pobre foi cobaia pra salvar a economia, tem sangue no Excel que enriquece a burguesia, a fome não foi pra pauta, somente a mão de obra, não ligam pra nossa falta, protegem a própria sobra”. Nesse viés, o trecho da música “Favela Vive 4”, do “rapper” César, retrata de maneira precisa, verídica e direta a situação das classes menos abastadas financeiramente no Brasil. Assim, de maneira análoga aos versos aludidos, o desperdício de alimentos colabora diretamente para a existência da fome no Brasil, além disso uma má distribuição de renda contribui para avultar a assimetria social no século xxi.
Mormente, acontece um estupendo sacrifício desnecessário de comida na república federativa do Brasil, que influencia significativamente nos índices da fome no país. Nesse sentido, segundo pesquisa divulgada pelo site Observatório do Terceiro Setor, o Brasil desperdiça aproximadamente vinte e seis milhões de toneladas de comida por ano. Paralelamente, para tornar o número supradito mais alarmante, o documentário “Histórias da fome no Brasil”, de Camilo Tavares, retrata o aumento exponencial do fome no país e o seu efeito devastador. Logo, frente ao dado e ao documentário supracitados, nota-se que o desperdício de alimentos está intrinsecamente conectado ao número de pessoas famintas, pois a comida descartada equivocadamente poderia ser doada para os indivíduos que necessitam dessa ajuda alimentícia.
Ademais, ocorre uma insatisfatória propagação de renda na sociedade brasileira, o que amplia a desigualdade social. Sob esse prisma, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por volta de 42% da renda total do Brasil está concentrada com os mais ricos e aproximadamente 50% da população sobrevive com menos de meio salário mínimo mensalmente. Analogamente, em uma cena do filme “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, um grupo de meninos roubam frangos de um comércio local, pois estavam com fome e seus pais não tinham dinheiro para comprar comida. Com isso, diante do estudo e do acontecido fictício supramencionado, percebe-se que a precária distribuição de renda é um fator de suma importância para a manutenção da desigualdade social. Desse modo, é evidente que as classes mais pobres urgem por um maior suporte, caso contrário a desarmonia societária tornar-se-á perpétua.
Portanto, ações fazem-se necessárias para mitigar os impactos da fome no século xxi. Para que a população tenha consciência da problemática, urge que o Ministério da Cidadania, por meio de patrocínio estatal, realize campanhas de doação de alimentos para doar para os indivíduos que carecem dessa ajuda alimentar. Dessa forma, com mais pessoas alimentadas o rol da fome irá diminuir no Brasil. Apenas assim, o quadro atual será sanado, evitando um cenário igual ao de “Favela Vive 4”.