Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 13/11/2020

Na obra “Quarto de despejo, diário de uma favelada” a autora Carolina de Jesus relata as más condições de alimentação as quais eram submetidas as famílias pobres de uma favela brasileira na década de 1950. Fora da ficção, a realidade atual, assemelha-se à abordada no livro: as desigualdades sociais condenam os cidadãos à miséria e à fome no século XXI.Dessa forma, deve-se entender como o monopólio alimentício mundial e a má distribuição de renda contribuem para a problemática em questão e como resolvê-la.

Em primeira análise, cabe avaliar como a concentração da produção de alimento no mundo corrobora para a fome na atualidade. Isso porque, segundo o filósofo Jean Rousseau, o homem é corrompido pelo poder. Tal perspectiva faz-se assertiva nos dias atuais: os líderes dos países com condições ambientais e financeiras mais  propícias para o cultivo de commodities, a exemplo da soja e do café, monopolizam a produção desses alimentos. Como consequência, a comida torna-se menos viável e mais custosa, sobretudo ás populações mais pobres, que devido a dificuldade de acesso aos alimentos acabam por entrar em situação de miséria nutricional.

Ademais, outro fator que corrobora para as desigualdades sociais e a fome no século XXI é a má distribuição da renda mundial. Nesse sentido, o documentário “Ilha das flores” aborda o acesso privilegiado dos ricos aos melhores alimentos em detrimento da miséria alimentícia enfrentada pelos mais pobres. Paralelamente, a realidade assemelha-se ao documentário: a distribuição desigual da renda  concentra a maior parte do poder de compra nas mãos de uma minoria enquanto grande parte da população recebe  menos que o necessário para  sobreviver. Em decorrência disso, os indivíduos mais carentes não conseguem obter condições dignas de vida e são privados de direitos como o acesso à comida de qualidade, o que os coloca em situação de fome e miséria.

Fica claro portanto, a necessidade de um debate a nível internacional sobre o tema.No Brasil, cabe aos Ministérios da Agricultura e Economia, estabelecerem soluções para o problema. Para isso, o investimento em pesquisas que gerem,através da tecnologia, o desenvolvimento agrícola eficaz em todo o país a fim de romper com os monopólios regionais de cultivo alimentar e garantir que o Brasil detenha uma produção alimentícia diversificada e bem distribuída  . Além disso, o beneficiamento fiscal à empresas que estabelecerem filiais nas áreas mais pobres do país de forma a gerar empregos e distribuir melhor a renda brasileira é indispensável. Assim, será possível garantir o acesso à comida  para todos, evitar que o país seja corrompido pelo poder, como previsto por Rousseau e assegurar  que situações como as relatadas em “Quarto de despejo, diário de uma favelada” não ocorram no Brasil.