Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 13/11/2020

Mais que alimento: evolução

Caça, pesca, colheita de frutos. Era assim que o ser humano pré-histórico obtinha seu alimento antes da Revolução Agrícola que o apresentou à agricultura. Diferentemente daquela época, hodiernamente, para obter o alimento, basta ir ao supermercado. Entretanto, ainda há pessoas morrendo de fome pelo mundo. Mas, ora pela insuficiência na produção, ora pela distribuição elitizada dos alimentos, como que, após tantas revoluções na produção, ainda haja fome no mundo?

Primeiramente, é necessário ressaltar que a “fome contemporânea” não é decorrente da produção insuficiente, pois, a cada ano, milhares de toneladas de alimentos são produzidos. Torna-se pertinente, então, a distribuição dessa produção e, mais ainda, o desperdício por aqueles que tem o consumo facilitado - seja por fatores logísticos ou financeiros. Conforme a FAO divulgou, cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são perdidos no planeta a cada ano. Ademais, com a Revolução Verde ocorrida na segunda metade do século XX e a Segunda Guerra Mundial, os modos de produção e conservação foram aprimorados, o que supunha um custo menor e consequente acesso geral da sociedade, o que não se verifica. Dessa forma, de mesma importância que a produção, ou até mais, encontra-se a supressão do desperdício de alimentos e sua distribuição igualitária.

Outrossim, a Constituição Brasileira de 1988 garante a igualdade para todos os cidadãos. No entanto, essa igualdade não está presente na distribuição alimentícia, afinal, as principais cargas seguem o mesmo fluxo: para as metrópoles. Desse modo, a distribuição de alimentos - sejam os perecíveis ou não perecíveis - para o interior torna-se mais cara, além de nem sempre haver variedade nutricional. Além disso, mesmo em cidades grandes com boa disponibilidade de suprimentos, milhares de pessoas passam fome devido a desigualdade social, por não possuírem o dinheiro necessário para compra. Desse modo, não somente é necessário haver uma dinamização na produção e distribuição, como também a garantia de aceso à toda população, afinal, qual a serventia da tecnologia e das leis, se as mesmas não são suficientes para garantir a igualdade em um quesito tão básico à vida?

Portanto, para realmente aproveitar toda a evolução tecnológica e social, garantindo alimentação a todas as pessoas, é preciso que o Governo Federal forneça cestas básicas a todos que estão em condição precária, por meio de um programa federal aliado aos governos estaduais e municipais, no qual os preços sejam menores e a distribuição mais acessível. Sendo assim, com a garantia de que todos terão alimento à mesa, a fome finalmente será superada e, com uma sociedade mais igualitária, a humanidade poderá verdadeiramente progredir, tanto no âmbito pessoal quanto social.