Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 15/11/2020
O documentário brasileiro “Ilha das flores” apresenta ao expectador, por meio de tomates e porcos, a relação que existe entre a desigualdade social e a fome. Enquanto alguns indivíduos vivem com possibilidades de escolha, compra e consumo de tomates, outros precisam sobreviver com as sobras que nem ao menos os porcos ingerem. Embora essa situação seja espantosa, ela ocorre diariamente com inúmeras pessoas no Brasil. Por essa razão, a fome e desigualdade social no século XXI precisam ser combatidas com a valorização no ato de comer, uma vez se nutriz é uma condição prévia da vida.
A priori, países que passaram por colonização exploratória ainda possuem grandes sequelas nos âmbitos sociais e econômicos. O Brasil, ao ser colonizado por Portugal, propiciou a desigualdade social ser realidade na nação, já que a elite era aristocrata e extrativista possuindo influência na política, beneficiando somente sua classe social. A política, voltada para a elite, possibilitou que após vários séculos, a desigualdade social ainda fosse visível no Brasil com o fenômeno de camarotização entre as classes e por poucos sujeitos deterem a mesma riqueza que a metade de todos os pobres do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse histórico e a falta de políticas públicas permitem que muitos brasileiros ainda tenham uma vida faminta de comida e de justiça.
Além disso, ainda existem barreiras no acesso ao alimento. Apesar de haver disponibilidade de comida capaz de abastecer toda a sociedade, há uma utilização equivocada da comida porque de um lado existem pessoas se tornando obesas, a nova epidemia do século segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e do outro lado há muitos sujeitos morrendo de fome e desnutrição. A má gestão de transporte, consumo e do uso da tecnologia tornam as barreiras para erradicação da fome ainda mais fortes. Infelizmente, são poucos os brasileiros que tem ciência do poder transformador que existe em uma refeição e de como seu consumo é, também, um ato político.
Diante dos fatos exposto, é possível concluir que a existência de fome e a desigualdade social no século XXI evidencia que a sociedade brasileira precisa conhecer as raízes de sua alimentação. Para que isso ocorra, cabe ao Ministério da Agricultura maior valorização dos pequenos produtores, por meio se incentivos e redução de impostos, para que a produção e o escoamento do alimentos sejam mais próximos do mercado consumidor, reduzindo o valor do alimento e os tornando mais acessíveis para os consumidores. Também é de grande valia que o Ministério da Educação, por meio de apresentações, ensinar a população sobre a história dos alimentos e a melhor maneira de compor uma alimentação saudável tornando os brasileiros mais conscientes sobre os impactos das refeições no organismo humano. Desse modo, nenhum brasileiro precisará ser rebaixado por porcos para acabar com a fome.