Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 13/11/2020

A garantia de uma vida digna é um dos principais fundamentos estabelecidos pela Constituição Federal de 1988. Nesse documento, o Estado assume a responsabilidade assegurar direitos sociais como alimentação, saúde e educação. Entretanto, a negligencia governamental quanto ao cumprimento de tais premissas e a conivência civil permitem que cenários como o de fome e desigualdade social persistam no século XXI.

Nessa conjuntura, é necessário destacar as principais relevâncias de se garantir o acesso universal a direitos básicos. Segundo o sociólogo Thomas Marshall, cidadania é o conjunto de direitos civis, sociais e políticos que permitem que um indivíduo liberdade, dignidade e participação nas decisões públicas. Dessa forma, a ausência de projetos eficazes no combate à miséria e às condições subumanas, como falta de saneamento básico e emprego digno, caracteriza-se como uma forma uma violência simbólica do Estado para com o indivíduo, uma vez que lhe é negado a cidadania.

Em virtude desse cenário, a fome e a desigualdade social ascendem como os mais graves problemas da sociedade brasileira. No livro “Quarto de despejo” de Maria Carolina de Jesus, a pobreza, a exclusão e a fome fazem da narrativa um desconfortável retrato de uma realidade ignorada por muitos brasileiros que se tornam coniventes com esse problema quando se desapegam da alteridade com o próximo para reivindicar maiores ações por parte das autoridades governamentais. Assim, o livro escrito nos anos 50 traz um tema atual e que, apesar das diversas leis e garantias asseguradas no decorrer dos anos, ainda não foi solucionado.

Dessa forma, é necessário que, pra garantir que a fome e a desigualdade social deixem de ser um problema brasileiro, ONG’s de Direitos Humanos devem organizar a sociedade para reivindicar do Estado maior distribuição de renda por meio do investimento de setores de atendimento básico às classes mais carentes como políticas de saneamento básico, distribuição de terras, atendimento médico e escolar de qualidade e empregos. Tal iniciativa decorreria do posicionamento certeiro do governo quanto à taxação das grandes riquezas.