Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 12/11/2020

A série “O Poço”, produzida pela Netflix, relata uma sociedade que é dividida por níveis e hierarquias. Todos os dias, tais pessoas recebem alimentos, mas a desigualdade é contemplada quando, em diferentes classes, alguns passam fome  e outros têm comida excessiva. Fora do contexto cinematográfico, é fato que a realidade apresentada pela Netflix pode ser relacionada à conjuntura do século XXI: os fatores que levam as pessoas a suportarem a fome, bem como a desigualdade social que essas enfrentam. Logo, medidas são necessárias para combater tal óbice.

Em primeira instância, é válido ressaltar que a mídia tem uma importante influência no que se trata da fome. A falta de engajamento ficcional, sobretudo ao não apresentar o que os cidadãos necessitados encaram, torna os indivíduos da sociedade cada vez mais resistentes à empatia e ao desejo de ajudar o próximo. Como a televisão não tem sido utilizada para a mudança social do quadro apresentado, a Cegueira Branca - conceito definido pelo escritor brasileiro José Saramago - entra em vigor, já que um ser não consegue sentir a dor do outro.

Por conseguinte, presencia-se um forte poder governamental neste quesito. Vale destacar que a fome não é uma consequência da escassez de alimento mundial, mas da má distribuição de renda e da estrutura socioeconômica desigual do país. O Estado, ao negligenciar todos estes aspectos e não criar efetivas leis que combatam a fome e a desproporção social, torna-se não somente um passivo de todos esses problemas, mas um contribuinte para tais adversidades. Segundo Aristóteles, filósofo grego, a justiça deve ser usada para que o equilíbrio seja alcançado. Não obstante, vê-se que, na prática, este objetivo está distante da realidade, mostrando a urgência em modificar esta situação.

Portanto, urge que o Estado tome providências para reverter o quadro atual. O Ministério da Educação - principal órgão responsável pela pedagogia do país - deve fomentar que as escolas criem a “Semana da Solidariedade”. Nela, através de palestras e debates, será exibida aos jovens a realidade de muitas famílias no que diz respeito à fome, com o fim de estimulá-los à prática de empatia e altruísmo por meio de doações e caridades. Assim, os contrastes sociais vistos em “O Poço” não serão mais contemplados na realidade social.