Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 11/11/2020

Sêneca, pensador do Império Romano, acreditava que apenas as percepções das pessoas sobre o meio eram responsáveis por alterar o estado de tranquilidade mental da sociedade. Posto isso, contesta-se a notoriedade populacional diante da desigualdade vigente no mundo hodierno. Com efeito, reestruturações educacionais e governamentais são medidas impostas como necessárias para que a fome e a desigualdade social sejam cessadas no século XXI.

Inicialmente, é válido ressaltar o desconhecimento dos cidadãos acerca da Carta Magna como promissória para o regresso da harmonia social, sobretudo, para a estabilidade do problema da fome. Segundo pesquisa feita pelo “Data Senado”, cerca de 50% dos entrevistados admitiram saber nada ou muito pouco acerca da Constituição Federal proclamada em 1988. Desse modo, é possível aferir que, sem a ciência dos próprios direitos, os indivíduos se tornam suscetíveis à manipulação por não acreditarem na autonomia que possuem sobre o Governo e as obrigações de mudança do órgão sobre as condições em que se encontram. Afinal, a manutenção da miséria é algo que deve ser combatido para que a democracia seja bem sucedida, pois é papel dos governantes garantir o mínimo de dignidade à nação, como previsto no artigo 5º da Constituição, a qual cita a inviolabilidade dos direitos em diversas áreas aos brasileiros. Então, é preciso que as instituições educacionais tornem mais evidente o ensino aos direitos básicos da cidadania para os estudantes, a fim de torná-los agentes de mudança.

Outrossim, é imprescindível mencionar a inércia governamental sobre a alta concentração de renda nacional. De acordo com o “El País”, portal de notícias, 1% da população brasileira detêm mais de 30% da economia nacional. Dessa maneira, é relevante constatar a violência simbólica, como proposta pelo sociólogo Pierre Bourdieu, pois, apesar de tal agressão econômica seja com ausência de coerção física, causa um impacto psicológico nas pessoas marginalizadas, as quais, por presenciarem o sinônimo de poder interligado ao dinheiro, se submetem ao ideal filosófico arcaico do “determinismo”, isto é, nesse caso, os sujeitos mais pobres economicamente irão permanecer pobres, como uma sociedade estamental. Por isso, cabe ao Estado romper com os moradores de rua, de modo a exemplificar a marginalização, por intermédio de políticas sociais de inclusão e de suporte assistencial evidente.

Portanto, condutas são importantes para que a igualdade prevaleça e a fome seja combatida. Por conseguinte, o Governo Federal deve, por meio de uma reunião com os governadores estaduais, promover a construção de um órgão público assistencial às pessoas humildes, as quais recebem menos de um salário mínimo por mês, a fim de garantir comodidade e alimentos não perecíveis diariamente, em todos os estados brasileiros. Assim, haverá um subsídio para o alcance da harmonia nacional.