Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 15/11/2020
A desigualdade social é, historicamente, um problema típico das sociedades de classes, contudo, a partir do capitalismo, esse fenômeno adquire patamares de complexificação inéditos. Haja vista, a reprodução social perpassa o limite das necessidades do capital em sua lógica de expansão e acumulação que tem se posto contemporaneamente em patamares cada vez mais adensados. Nesse sentido, em virtude do sistema capitalista, seja por meio do agronegócio, seja pela concentração de capital, propicia-se um grande aumento nessa desigualdade e em suas expressões, tais como a fome, problema que em pleno século XXI atinge milhões de pessoas.
De modo Análogo ao filme “O poço” o Brasil detém uma produção alimentícia suficiente para toda a população, todavia, assim como no filme, a verticalidade social e o individualismo capitalista impede que isto aconteça. Destarte, a vigência do neoliberalismo e avanço do capitalismo no campo desmontou os mecanismos necessários para se assegurar a oferta e a distribuição pública e permanente de alimentos a um preço razoável. Outrossim, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, é a agricultura familiar a grande responsável pela alimentação da população brasileira e não o agronegócio. Entretanto, grandes latifundiários vem apropriando-se cada vez mais de terras, isso, aliado às políticas de austeridade e cortes nos orçamentos para agricultura familiar e proteção social, causaram um efeito cascata e acentuaram problemas intrinsecamente ligados entre si como pobreza, desemprego e fome.
Não obstante, as desigualdades de renda são crescentes pelo globo e agora atingem níveis recordes. No Brasil não diferiria, dados da ONU relatam que o 1% mais rico do país embolsa 28,3% do PIB, dos 99% restantes, 46% estão concentrados nas mãos de um quinto da população. Sendo assim, essa má distribuição de renda e omissão do Governo prejudica e limita o status social da população, além de seu acesso a direitos básicos, como educação e saúde de qualidade, direito ao trabalho, direito à moradia, entre outros. As consequências dessa exclusão social podem ser bem exemplificadas com o livro “Quarto de Despejo” de Carolina de Jesus, no qual a autora retrata o dano físico, econômico e contra a segurança cultural, causados pelas mazelas da desigualdade social.
Em suma, a desigualdade social e a fome são problemas naturalizados que provem de decisões políticas que encurtam e desqualificam a vida. Por conseguinte, cabe ao INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) a realização de uma reforma agrária e fornecimento de assistência para realização de projeto agroecológico, proporcionando as famílias carentes, meios de subsistência. Ademais, cabe ao Governo Federal efetivar às dez ações propostas pela OXFAM, para combater as desigualdades sociais em todas as esferas. Assim poder-se-ia dirimir essa problemática secular.