Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 06/11/2020
Segundo o importante literato inglês, Aldous Huxley, “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados.” Nessa esteira de pensamento, podemos suscitar discussões sobre fome e desigualdade social no século XXI, como tema que, apesar de ser um grande problema, muitas vezes invisibilizado no país, ele repercute em diversas áreas sociais. Ademais, essa problemática é de grande relevância não só para os órgãos competentes mas também para todo um corpo social, que, de algum modo, é afetado direta ou indiretamente por essa incômoda situação. Esse fato se dá pela negligência estatal em relação ao cumprimento da lei e pela violência simbólica exercida pela sociedade.
Ao analisar o cerne da questão, vê-se que a fome pela desigualdade é decorrente das bases históricas do país. Esse aspecto pode ser percebido na Colonização, por exemplo, os escravos trabalhavam para si mesmos um dia da semana e seu alimento geralmente eram mandioca. De modo análogo, essa questão se estende até os dias atuais, já que o desemprego cresce continuamente no Brasil, a histórica concentração fundiária nas mãos de poucos e a monocultura para exportação ainda assolam o país, impedindo o acesso de alimentos para todos. Mostrando a ineficiência estatal em assegurar o direito contido na Constituição Federal, o qual afirma que todos têm direito à alimentação. Além disso, é preciso pensar que a omissão desses fatos pela sociedade e pelas instituições governamentais traz prejuízos para todo um corpo social. Conforme Pierre Bourdieu, a violação dos Direitos Humanos não consiste somente no embate físico, pois o desrespeito está, sobretudo, na perpetuação de preconceitos que atentam contra a dignidade de um grupo social - é o que ele chama opressão simbólica. Dessa forma, vemos uma apatia da sociedade ante tal situação que só tende a crescer. Lastimavelmente o Brasil que come não enxerga o Brasil faminto e a fome vira somente números e estáticas como se não houvesse nomes, histórias e dores.
Pela observação dos aspectos analisados, cabe ao Estado, como gestor dos interesses coletivos, criar mecanismos para diminuir a desigualdade social e por conseguinte a fome, por meio de maior distribuição de empregos e salários mais justos e igualitários, a fim de diminuir a fome no Brasil. Somando a isso, compete à sociedade criar novos paradigmas éticos acerca desse problema, por meio de mobilizações nas redes sociais, com o propósito de promover a conscientização sobra tal problema na população. Sendo assim, a fala de Huxley não terá mais sentido na sociedade.