Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 05/11/2020

De acordo com a Constituição Federal, promulgada em 1988, todo ser humano possui, entre seus inúmeros direitos, o da seguridade de uma alimentação adequada. No entanto, externo à teoria, esse ideal não é concreto, visto que parte considerável do povo brasileiro não possui a garantia de suas refeições diárias, problema esse causado, dentre outros fatores, pelo desacato estatal e pela baixa escolaridade em famílias de renda menor.

Em primeira análise, em sua obra “A República”, o filósofo Platão determina que o ato de governar significa proporcionar bem-estar máximo de uma sociedade. Entretanto, no que tange à certeza nutritiva universal, a nação ainda é falha, tendo em vista que ainda faltam empregos dignos e de boa remuneração em muitas regiões afastadas dos centros urbanos, devido à falta de empenho governamental, o que acarreta na sujeição de núcleos parentais mais pobres a aceitarem serviços de baixo salário e que não acompanham a inflação do gênero alimentício no mercado, o que resulta em uma fome já presente e cada vez maior, como demonstrado pela pesquisa feita pelo IBGE, a qual demonstra que cerca de 40% das famílias brasileiras não possuem a garantia de poder cear diariamente.

Concomitante a isso, a falta de acesso à educação corrobora significativamente para o agravamento da situação na camada social menos favorecida, já que como os guardiões não recebem o suficiente para prover todas as suas necessidades, cabe aos seus filhos abandonar os estudos para se focarem em complementar a renda que falta, impossibilitando, assim, sua ascensão social por meio dos estudos, o que forma um ciclo, visto que eles, sujeitados à mesma dificuldade que seus pais, precisarão também da mão de obra de seus descendentes para sobreviver, e assim por diante. Em seu livro “Vidas Secas”, o escritor Graciliano Ramos demonstra, com clareza, essa triste situação, visto que os filhos do protagonista Fabiano, devido a seus ofícios, não tinham a oportunidade de ir à escola.

Faz-se necessário, destarte, a reversão do estado crítico ao qual o país se encontra. Nessa lógica, cabe ao Poder Legislativo ceder incentivos ficais a empresas que se disponham a se estabelecer em áreas menos industrializadas e que deem preferência de empregar pessoas de localidades próximas, com a exigência de uma prestação de contas mensal da folha de pagamento para que não haja fraude e, dessa forma, haja uma condição digna entre todos os brasileiros e os mais jovens não tenham o seu estudo interrompido, e, assim, a Constituição esteja um passo mais próxima de sua execução completa.