Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 10/11/2020

Com a ascensão da burguesia à classe dominante durante a Revolução Industrial, o capitalismo emergiu trazendo consigo uma série de transformações políticas e econômicas que provocaram um adensamento ainda maior do abismo social entre os detentores dos meios de produção e o proletariado. Esse cenário antagônico deriva tanto da herança colonial escravocrata quanto da falta de acesso à educação de qualidade. Tendo em mente que o Estado assegura, por meio do artigo 6º da Constituição Cidadã, os direitos básicos inerentes à uma vida digna, faz-se necessária a discussão sobre a fome e a desigualdade social no Brasil.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o processo de formação do país ocorreu baseada na exploração do trabalho indígena e posteriormente africano. Com isso, durante o período colonial e o Império, a maioria esmagadora da população era formada por escravos ou trabalhadores livres que viviam em situação miserável, totalmente negligenciados pelo governo. Contudo, desde a abolição em 1888 pouca coisa mudou nas estruturas sociais. Consoante à esse panorama, uma pesquisa publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, apontou que a fome atinge cerca de 10,3 milhões de pessoas, sendo 44% desse total de famílias rurais. Portanto, é inquestionável a relação direta que existe entre a industrialização e a concentração fundiária, com a existência da fome.

Em segunda análise, a falta de investimentos em educação de qualidade agrava o cenário de desigualdade socioeconômico, pois limita as oportunidades de crescimento profissional e ascensão das classes mais pobres. Quanto a essa manutenção de poder nas mãos dos mais ricos, o filósofo Michel Foucault discorre em sua obra sobre a “Microfísica do Poder”, em que a lógica da sociedade opressora é sempre o adestramento do indivíduo, tornando-o dependente e produtivo, como produto a ser explorado pelo sistema capitalista. Em suma,  o que ocorre é um amensalismo social, no qual a classe dominante impede o progresso das classes mais baixas em um ciclo vicioso.

Assim, diante do exposto, medidas exequíveis são necessárias para atenuar as desigualdades sociais e consequentemente a fome. Dessarte, com o intuito de possibilitar melhores condições educacionais para a população, faz-se mister que o governo federal, por meio do Tribunal de Contas da União, direcione capital para o Ministério da Educação que deverá reverter a verba em investimentos na infraestrutura das escolas, melhorando a qualidade da alimentação dos estudantes e valorizando os profissionais da educação, com o objetivo de criar um ambiente acolhedor e de qualidade de ensino. Dessa forma, espera-se, aumentar o acesso da população a melhores oportunidades de emprego e consequentemente diminuir a desigualdade social e a fome que assolam o país.