Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 07/11/2020

A fome e a desigualdade social são problemas até hoje presentes na sociedade, que ao longo da história, são relacionados à organização econômica dos sistemas de produção. Dessa forma, atualmente, tratam-se de questões estruturais nascidas da consolidação do capitalismo, cuja formação é ligada à exploração de pessoas acometidas pela fome, miséria e outras injustiças sociais. Assim, tais problemas, frutos de construções históricas, não devem ser naturalizados a fim de não mais serem conservados, e sim combatidos.

Primeiramente, na historiografia mundial, a desigualdade pôde ser observada nas relações de produção, como por exemplo a exploração servil do feudalismo e a exploração operária na indústria, cujos moldes não permitem ao trabalhador mudar sua condição de vida. Dessa maneira, encontra-se na economia uma forma de realizar a manutenção da necessidade, de forma que haja sempre lucro a uma pequena parcela de pessoas em função da má qualidade de vida de outras, como mostra o relatório da Organização Não Governamental Oxfam, que diz dos 1% mais ricos do mundo detêm mais do dobro da riqueza possuída por 6,9 bilhões. Tal fato corrobora com a análise da sociedade capitalista realizada por Karl Marx em sua obra “O Capital”, escrita no século XIX.

Em seguida à evidenciação da desigualdade da distribuição de renda, há de analisar-se a produção alimentícia do sistema que segue a lógica de mercado e acúmulo; há no Brasil 7,2 milhões de pessoas que passam fome e um índice de exportação de comida que é suficiente para alimentar cem vezes mais pessoas, segundo um estudo conduzido pelo professor Danilo Rolim Dias de Aguiar, pesquisador do Departamento de Economia do Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos. Logo, os problemas de fome e desigualdade se relacionam à um longo processo de exclusão social e econômica de populações que foram historicamente exploradas; pobres, negros, periféricos, sertanejos, operários, assim por diante.

Conclui-se que para se combater a fome e a desigualdade deve-se primeiro combater e reparar a estrutura social, função esta que cabe ao Estado, sujeito que deve assegurar condições de vida à população. Para que haja uma reparação, o primeiro passo é solucionar a baixa empregabilidade através de incentivos locais e renda popular, investimentos que darão retorno econômico ao mercado e ao trabalhador de forma digna. Em seguida, a baixa escolaridade, pelo Ministério da Educação, esta medida garante condições de ingresso a oportunidades de trabalho, tais medidas em conjunto com o abandono da política de Estado Mínimo do sistema neoliberal, há de se garantir o combate à estrutura que conserva e sustenta a fome e a desigualdade na estrutura social.