Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 08/11/2020
A obra “O Grito”, do artista norueguês Edvard Munch, retrata um ser em profundo incômodo diante da realidade em que vive, transmitindo o desejo de mudança. Entretanto, essa postura vai de encontro à reação da sociedade diante da fome e da desigualdade social no século XXI, uma vez que é justamente o sentimento de indiferença que opera nessa problemática. Essa situação tem como origem inegável a a naturalização das divergências sociais que legitimam tal impasse. Assim, entre os fatores que comprovam essa vicissitude, estão a herança colonial e a negligência estatal.
A princípio, a perpetuação de heranças coloniais cristaliza a fome e a desigualdade na contemporaneidade. Isso ocorre porque países que foram colônias de exploração permanecem vítimas da mentalidade arcaica que naturaliza a pobreza em seu cenário atual e, assim, a ideia de submissão e sofrimento permanece na modernidade. Dessa forma, os países anteriormente explorados, representados pelos subdesenvolvidos, não concretizaram seu progresso social e, por conseguinte, a superação da desigualdade é inviabilizada. Esse cenário pode ser comprovado a partir da ideia do “Binômio da Desigualdade”, do historiador britânico Erick Hobsbown, que apontou a má distribuição de renda no Brasil como oriunda da escravidão e do sistema econômico colonial.
Além disso, a negligência estatal gera a perpetuação da desigualdade. Isso decorre da habitualidade com que os representantes públicos gerenciam a fome e a pobreza, visto que a conjuntura política valoriza mais a realização de obras que, supostamente, geram mais prestígio, como a construção de estradas, à medida que projetos sociais que garantam a dignidade são negligenciados. Dessa maneira, a indiferença estatal, ao buscar interesses individuais, contribui para a lamentável situação de escassez alimentar. Como consequência disso, tem-se a desnutrição na população mais carente, que vive em situação de rua em países desiguais. Ilustra-se esse quadro na realidade brasileira da década de 1950, na qual o presidente JK investiu mais na construção de rodovias em detrimento da erradicação das mazelas sociais.
Portanto, para solucionar esse impasse, é preciso que o Governo Federal elabore um Plano de Combate à Desigualdade, que terá como prioridade o auxílio á população vulnerável. Esse Plano atuará a partir do Ministério da Cidadania, que deve realizar intervenções mensais de auxílio médico, financeiro e alimentar, por meio do mapeamento prévio de bolsões de pobreza, a fim de mitigar as heranças coloniais. Ademais, o Plano deve incluir obras públicas como mercados e farmácias gratuitos, com o intuito de amenizar a inércia governamental. A partir disso, o incômodo retratado por Munch simbolizará a reação da sociedade diante do mundo desigual.