Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 06/11/2020

A fome tem cor amarela

Na obra literária “Quarto de Despejos”, Maria Carolina de Jesus, versa – em meio o racismo e a pobreza - em como era suas lutas diárias em busca de meios para suprir sua maior inimiga: a fome. Morando em uma favela em São Paulo, no contexto da Abolição da Escravatura, Carolina chega a dizer que a fome tem cor amarela e dói. Ainda que, hodiernamente, haja políticas e projetos que mitiguem esse problema que fora tão comum no século XIX, ele ainda permanece forte na sociedade. Dessa forma, urge analisar as dificuldades para a erradicação da fome e da desigualdade social no século XXI.

Tal conjuntura se deve ao fato de haver uma grande concentração da renda histórica no Brasil. Desde o período colonial, em que apenas as elites agroexportadoras tinham acesso aos alimentos de qualidade e quantidade suficiente, o país é comandado por uma pequena parcela da população, a qual o rege em benefício próprio. Esse fato pode ser observado na atualidade, em situações como a sobretaxa da população pobre brasileira e a dificuldade de ser aprovado no congresso leis que aumentem a cobrança de impostos sobre os ricos. Tanto o fator histórico quanto o fator atual apenas aumentam a concentração de renda e desigualdade social brasileira, evidenciadas pelo Índice de Gini – ferramenta da Geografia que mede o nível de concentração de renda de um país, variando de zero a um – cada vez mais próximo de um, ou seja, cada vez mais desigual.

Consequentemente, com o agravamento da concentração de renda, há um agravamento da fome no país. Afinal, com uma parte da população sem as condições mínimas para prover os alimentos de boa qualidade e quantidade, desencadeia o “efeito dominó” que afeta outras áreas essenciais para o desenvolvimento humano, como por exemplo, a saúde e a educação. Além disso, a fome é um problema não tão somente social, mas também do estado, que fere o direito à alimentação, o qual é obrigação do Estado assegurar de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.    Portanto, é mister que o Estado tome providências para mitigar o quadro atual. O Ministério do Desenvolvimento Social deve revigorar e aprimorar projetos de combate à fome já existentes, por exemplo, o Bolsa Família, por meio de distribuição periódica de cestas básicas nas sociedades mais carentes, a fim de erradicar a fome. É importante, também, que, para minimizar a desigualdade social no século XXI, a aprovação de leis que aumentem a cobrança de impostos sobre os mais ricos e diminua sobre os mais pobres. Dessa forma, será possível lividecer a cor amarela da fome vivenciada por Carolina Maria de Jesus.