Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 12/11/2020

No romance “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o quixotesco personagem, que dá título ao livro, cria algumas fantasias em relação à pátria, o que o conduz ao seu declínio após ser traído por seus ideais. Fora das páginas literárias, a fome e a desigualdade social, no Brasil, contribuiria para potencializar as decepções de Quaresma, seja pela falta de políticas públicas, seja pela escassez de intervenção estatal. Nesse sentido, é necessário analisar os principais aspectos políticos e sociais que envolvem tal postura degradante para a nação.

Primeiramente, é válido destacar a carência de políticas públicas atrelada à persistência da fome. Assim, promulgada no governo José Sarney, a Constituição Federal elucida que é direito de todos os cidadãos o acesso à alimentação de qualidade, com absoluta prioridade. Entretanto, hodiernamente, tal panorama é utópico, dado que, de acordo com o Jornal “O Globo”, apesar da Revolução Verde ter sido um importante fator para o aumento da produção alimentícia, ela não foi suficiente para erradicar a subnutrição no mundo, visto que esse problema tem fundamento na má distribuição da comida e na desigualdade social. Logo é dever dos governantes a ação de ações para prevenção do impasse.

Outrossim, cabe pontuar, ainda, a inópia de intervenção estatal para garantir o fim da pobreza. Por conseguinte, segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser usada de modo que, por meio dela, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. No entanto, evidencia-se a omissão do Governo em realizar políticas públicas que objetivam sanar a desigualdade social, haja vista que o principal motivo da subnutrição, no Brasil e no mundo, é a disparidade econômica entre os integrantes da sociedade, que, análogo ao filme “O poço”, os moradores dos andares superiores tem alimento de sobra, o que os leva  a deixar a empatia de lado e a abusar desse privilégio, privando os moradores dos prédios inferiores de alimentação, retratando assim, o desequilíbrio existente nas sociedades. Nesse prisma, a carência de medidas públicas agrava o quadro caótico.

Infere-se, portanto, a necessidade de ações para garantir a erradicação da fome e da pobreza no Brasil. Assim sendo, urge que o Governo, instituição responsável pela garantia dos direitos dos cidadãos, intensifique os programas de auxílio, como a “fome zero” e o “Plano Brasil sem miséria”, por meio do dinheiro público, com o intuito de proporcionar a diminuição da desigualdade social. Ademais, é dever dos governantes e chefes de Estado, pessoas públicas responsáveis pela validação da unidade nacional, a construção de restaurantes populares nos municípios brasileiros, por intermédio de parcerias com empreiteiras, a fim de efetivar o fim da subnutrição. Destarte, tomando essas medidas, as decepções de Quaresma seriam mitigadas.