Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 14/11/2020

De acordo com Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, “democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria é uma concha vazia”. Embora injusto, tal panorama é concretizado no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que grande parte da população vive assolada pela fome e desigualdade social. Isso ocorre ora devido à precária educação pública disponibilizada, ora em decorrência da insensibilidade do Estado e da população frente à tal realidade.

A priori, é imperativo relacionar o péssimo ensino com o pensamento de Paulo Freire. Conforme o filósofo brasileiro, “se a educação sozinha não transforma o mundo, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sob esse viés, é indiscutível a imprescindibilidade da educação como uma forma de desenvolvimento pessoal e ascensão social, já que, com a instrução correta, o indivíduo encontrar-se-á preparado para ingressar na sociedade com maiores oportunidade. Entretanto, a debilidade da educação no  país, com péssima infraestrutura e alta taxa de evasão escolar, eleva o número de pessoas vivendo à margem da sociedade, as quais sofrem com subempregos e, comumente, com o desemprego, o que torna recursos básicos, como alimento, inacessíveis.

A posteriori, é imperioso concatenar o descaso do Estado e a Insensibilidade da população com o conceito de “Cegueira Moral” de Zygmunt Bauman. Segundo o sociólogo polonês, a maldade e a violência na contemporaneidade não se restringem apenas às ações bélicas e agressões físicas, mas também ocorrem por meio da demonstração de frieza e indiferença para com a dor do outro. Nessa lógica, ocasionado pelo sentimento de normalidade da sociedade perante as vítimas da fome e da pobreza, a reinvindicação por mudanças perde força e o vigente sistema político do país permanece favorecendo os detentores de capital e cegando-se diante de problemas sociais tão graves.

Depreende, portanto, a essencialidade de mudanças para tornar possível a superação da fome e, consequentemente, a redução da desigualdade social. Necessita-se, precipuamente, que o Tribunal de  Contas da União (TCU) direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido no desenvolvimeneto estrutural de escolas públicas. Isso deve ser feito por meio da contratação de professores qualificados e na criação de um ambiente de sala de aula pacífico e propício ao aprendizado, que estimule a ambição e confiança do aluno, para que ele veja como palpável a melhoria de vida por meio da educação. Em suma, com acesso a materiais didáticos, corpo docente qualificado, apoio psicológico e estímulos a continuação dos estudos, será possível começar pela base escolar a mudar o cenário de desigualdade. Dessa forma, o Brasil terá uma democracia sem fome e com educação para todos, ou seja, deixará de ser uma concha vazia, como cita Nelson Mandela.