Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 09/11/2020

No filme espanhol “O Poço”, prisioneiros são confinados em uma torre vertical e apenas podem se alimentar dos restos da comida do nível de cima. Na narrativa, fica clara a disparidade do luxo dos primeiros andares comparada à miséria dos últimos, analogamente à realidade. Fora do mundo distópico, o problema da insegurança alimentar no Brasil se vê, de fato, atrelado ao fato da enraizada desigualdade social do país e da má distribuição dos recursos em uma sociedade verticalmente hierarquizada.

Primeiramente, segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado. Em contrapartida, a realidade da população brasileira é distinta à proposta pelo filósofo grego, uma vez que a alta desigualdade no Brasil determina a quantidade de direitos estabelecidos que cada cidadão desfrutará, como a subnutrição e a fome. Desse modo, a negligência estatal corrobora para a problemática, visto que as medidas existentes são pouco eficientes e há uma desconsideração desse revés por parte do governo, dificultando que ações mais eficazes sejam tomadas e os direitos constitucionais sejam cumpridos. Esse cenário é observado nos dados lançados pela ONU, em que 5 milhões de pessoas são subnutridas no Brasil e essa recusa do governo é percebida nas falas do atual presidente brasileiro, nas quais afirma que uma pessoa dizer que passa fome é mentira, de acordo com o G1. Logo, urge mitigar a problemática.

Por conseguinte, a inércia do governo favorece a disparidade social e, por sua vez, essa mazela é devido à concentração de riquezas numa parcela da sociedade, a outra parte da população, acaba tendo poucos recursos para comprar mantimentos, resultando em uma grande porcentagem de indivíduos passando fome. Nessa perspectiva, o filme citado anteriormente: “O Poço”, retrata falta de divisão dessas riquezas, dado que o índice GINI (coeficiente que mede a desigualdade dos países), apresentou que o Brasil em 2018, teve seu menor índice, consoante o G1. Dessa maneira, é necessário refletir sobre as causas da fome no Brasil para que sejam combatidas.

Portanto, medidas efetivas devem ser tomadas para amenizar a situação. Para tanto, o Estado deve intervir na economia, estabilizando o lucro do grande empresário e favorecendo as comunidades de baixa renda. Assim, criar políticas que visem maior distribuição de renda, por meio de impostos pagos por toda a população, de modo a diminuir a disparidade social. Isto pode ser feito através de economistas. Dessa maneira, pretende-se alcançar a proposta feita por Aristóteles e distanciar-se do cenário distópico do filme “O Poço”.