Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 09/11/2020

A obra literária ‘‘Vidas Secas’’ de Graciliano Ramos, retrata a miséria vivida por uma família no sertão nordestino. Por conta das secas, a escassez de alimentos e as dificuldades financeiras os leva a fugir em busca de melhores condições de vida. Fora da literatura, a realidade brasileira é semelhante ao livro, visto que a fome e as desigualdades sociais ainda são vigentes e intrínsecas entre si. Dessa forma, é necessário avaliar a causa e as consequências desse fato: a má distribuição de renda e os danos à saúde e à estabilidade social dos indivíduos.

Primeiramente, pode-se afirmar que as riquezas estão sob o domínio de uma elite minoritária, o que perpetua a miséria das camadas mais pobres. O filme ‘‘O Poço’’, mostra de forma filosófica essa realidade, pois a divisão dos alimentos para os prisioneiros da torre é vertical, ou seja, os que estão no topo têm fartura, enquanto os dos níveis mais baixos se alimentam dos restos. Da mesma forma, na vida real, devido à má distribuição de renda e às ínfimas oportunidades de trabalho, as populações mais pobres possuem pouco ou nenhum recurso financeiro, o que limita seu acesso à alimentação. Concomitantemente, os grupos com maior poder aquisitivo disfrutam e desperdiçam comida cada vez mais.

Ademais, é válido ressaltar as consequências do fato supracitado. Tendo em consideração que a fome e as desigualdades sociais estão interligadas, é perceptível que a continuação dessas problemáticas afeta vários âmbitos da vida das pessoas mais pobres. Então, é importante citar que a falta de alimentação prejudica a saúde e o desenvolvimento físico e mental dos indivíduos, gerando uma redução em suas chances de obter emprego e educação. Por conseguinte, a pobreza segue e com ela a fome. Prova disso, é que de acordo com dados da Cepal, cerca de 28% da população latino-americana se encontra em situação de pobreza, sendo que 71 milhões destes estão em pobreza extrema.

Infere-se, portanto, que erradicar a fome e as desigualdades sociais será um grande desafio ao governo brasileiro. Assim, cabe ao Ministério do Trabalho junto ao Ministério da Educação, promover fontes de renda alternativas para as populações carentes, através da disponibilização de cursos profissionalizantes gratuitos. Esses cursos serão desenvolvidos nas escolas públicas, com a oferta de cestas básicas e um auxílio mensal para complementar a renda dos alunos. Com isso, ao final do curso, as comunidades mais pobres terão a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho, possibilitando a diminuição da fome e das desigualdades sociais. Somente assim, as mazelas sociais mencionadas em ‘‘Vidas secas’’ ficarão apenas na literatura.