Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 14/11/2020
Na obra “Os Retirantes”, o pintor Cândido Portinari retrata a precariedade das condições de vida da população economicamente menos favorecida. Embora criado em 1944, as mazelas relatadas na manifestação artística ainda se encontram presentes no século XXI, uma vez que as discrepâncias econômicas entre a sociedade e o reflexo do passado violento corroboram para a manutenção da desigualdade e fome extrema em determinadas nações. Nesse sentido, urge a necessidade de atenuação dessa situação adversa que assola diversos países na hodiernidade.
Em primeiro plano, é preciso analisar que a concentração de renda em uma pequena parcela da sociedade promove um contexto lesivo aos menos abastados. Tal situação decorre da insuficiência econômica dos mais pobres, que carecem de elementos necessários à vida, como alimento de boa procedência e saúde adequada, quadro que faz emergir uma problemática calcada, muitas vezes, no contexto histórico de exploração sofrida por continentes em que, atualmente, o capital é pouco expressivo, a exemplo da África, destoando-se de muitas outras nações, como se afirma no mapa de riqueza publicado pelo site Opera Mundi. Dessa forma, a desigualdade social é enfatizada, corroborando para condição de pobreza e miséria desses países, expressa na comodidade insuficiente da população.
Ademais, as sequelas das explorações anteriormente sofridas, evidenciadas durante o Período Neocolonial, são expostas na continuidade da fome extrema, principalmente no continente africano. Nesse contexto, embora décadas tenham se passado, nota-se que o desestimulador desenvolvimento humano do continente persiste como um reflexo resultante das violências e agressões sofridas, oriundas, primordialmente, da exploração por grandes potências europeias no século XIX, culminando a persistência da fome como principal problemática resultante. Essa realidade é análoga ao filme Jogos Vorazes, em que, enquanto os viventes da capital são munidos de regalias e direitos, os demais distritos sofrem com a precariedade das condições de vida e subserviência constante à capital, cenário fictício verossímil ao passado neocolonial intrínseco ao continente africano.
Portanto é imperativo que os Estados unam-se em prol da diminuição da desigualdade social presente entre o continente africano e os demais continentes do globo, a partir da criação de ONGs internacionais para a promoção de projetos educacionais, ajudas financeiras e alimentares, com intuito de superar os desafios reverberados desde o Imperialismo do século XIX e ainda persistentes no século XXI, como a fome e a pobreza. Consequentemente, o cenário trágico retratado por Portinari poderá ser uma conjuntura distante da realidade mundial.