Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 13/11/2020
Na obra “Quarto de Despejo”, Carolina de Jesus retrata seu cotidiano e de seus filhos em uma favela da cidade de São Paulo. Nesse contexto, pobreza, tristeza e humilhações são palavras que circundam o universo da autora e de diversas outras pessoas que convivem arduamente em uma sociedade brutalmente desigual. Nesse âmbito, é preciso compreender os motivos da persistência da desigualdade no século XXI, assim como as transgressões ao conceito de Democracia atrelados à essa problemática.
Em primeira análise, destaca-se a problematização do modo produtivo contemporâneo e suas incongruências. Nessa conjuntura, de acordo com o geógrafo David Harvey, a desigualdade social é um produto inerente aos interesses do capitalismo moderno, isto é, a pobreza estrutural e sistêmica é um constituinte sustentador desse sistema econômico. Assim, a ideologia do consumo, ostentação e da acumulação de capital, lança um véu espesso e nebuloso sob suas próprias contradições, escondendo, desse modo, um universo de miserabilidade, extrema pobreza, violência e desigualdade. Dessa forma, pensar em mitigar essas incompatibilidades do capital é, necessariamente, discutir distribuição de renda, igualdade de oportunidades e, sobretudo o fim das relações permeadas pelo capitalismo.
Além disso, é imprescindível pensar no papel da Democracia para superar esses obstáculos da contemporaneidade. Dessa maneira, o conceito de Democracia, cunhada pelos antigos helênicos, baseia-se no pilar do bem comum e da isonomia, ou seja, compreender todos como iguais nas discussões coletivas da pólis. Contudo, o avanço da extrema pobreza e da fome no mundo moderno, configuram-se como empecilhos na expansão daquilo que os gregos compreendiam como bem comum. Nessa perspectiva, a desigualdade social gera contradições e impede a participação política de muitos cidadãos marginalizados, que por sua vez, ficam subjugados aos interesses da classe dominante.
Portanto, a desigualdade presente no século XXI é fruto de problemáticas estruturais do sistema. Assim sendo, o governo federal em conluio com o ministério da educação e ministério da economia, devem criar mecanismos para mitigar a desigualdade em território nacional, por intermédios de leis, como a implementação de uma renda básica universal para os mais necessitados. Ademais, implementar no currículos escolares habilidades e conteúdos que problematizem o sistema econômico atual, por meio de filmes, documentários e textos que abarcam essa problemática.