Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 12/11/2020

O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne à fome e desigualdade social no século XXI, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um cenário desafiador, em virtude da insuficiência da legislação e do silenciamento.

Convém ressaltar, a princípio, que a insuficiência da legislação é um fator determinante para a persistência da problemática. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à questão da fome e desigualdade no país, uma vez que o problema continua atuando fortemente no contexto atual. Assim, a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução do impasse.

Além disso, o silenciamento apresenta-se como um obstáculo. Nesse sentido, o filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Dessa forma, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno da fome e desigualdade social, que tem sido silenciado, pois a resolução da problemática se encontra na contramão de interesses dos mais abastados. De acordo com matéria do G1, 28,3% da renda total do país se concentra na mão de 1% da população brasileira mais rica, evidenciando que sem diálogo sério e massivo sobre essa questão, sua solução é impedida.

Portanto, para que a fome e desigualdade deixem de fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Logo, é necessário que as famílias, em parceria com a assistência social, exijam do poder público o cumprimento do direito constitucional de proteção e amparo aos cidadãos. Assim, o Ministério Público poderá fiscalizar o destino dos investimentos brasileiros e juntamente com o Ministério da Economia remanejá-los a áreas necessitadas. Para que o destino seja coerente, estes órgãos podem criar consultas públicas, com o fim de resolver os problemas mais urgentes apontados pela população. Através dessas ações espera-se promover um país melhor.