Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 15/11/2020
Na mitologia grega, Prometeu foi acorrentado a rochedos de sofrimento sob a pena de ter seu fígado devorado por um abutre, diariamente. Fora da ficção, o mito adapta-se à temática da fome e desigualdade social no século XXI. À luz disso, o desenvolvimento tecnológico e o crescimento da produção agrícola – decorrente da Revolução Verde – trouxeram uma esperança de que a subnutrição e a distinção visível entre ricos e pobres findariam. Todavia, a exclusão dos menos favorecidos e a ausência de políticas de distribuição de alimentos atrasam a discussão por soluções. Portanto, necessita-se uma intervenção estatal e populacional para reverter esse quadro.
A priori, segundo o filósofo alemão Karl Marx, o capitalismo é um sistema que estimula o consumo ao invés da igualdade. Sob esse âmbito, os interesses econômicos são mais enfatizados que os sociais e, dessa forma, a voz mais ouvida pelos governantes é a dos abastados – o que gera discriminação. Prova disso é que 820 milhões de pessoas sofrem com a fome hodiernamente, de acordo com a ONU. Além disso, o Brasil é um dos países com mais desigualdade socioeconômica. Consoante o jornal El País, 1% dos brasileiros concentram 27% da renda nacional. À vista disso, o fenômeno da gentrificação é intensificado, tornando os contrastes mais visíveis.
A posteriori, de acordo com a teoria demográfica desenvolvida por Thomas Malthus, o número de indivíduos cresceria seguindo uma progressão geométrica, enquanto que a quantidade de alimentos disponíveis cresceria em progressão aritmética. Por conseguinte, seria impossível impedir a fome. Porém, durante o século XX o meio rural passou por uma veloz modernização. Com isso, as colheitas acompanharam o crescimento vegetativo. No entanto, o desperdício - decorrente de falhas no sistema de transportes e do status de riqueza e fartura que a classe média alta mantém – e a cultura consumista demonstram a indiferença das altas camadas para com a massa de cidadãos famintos.
Logo, é mister que o Ministério da Economia barateie os itens da cesta básica e que o Congresso aprove uma lei que preveja uma cobrança de impostos conforme a renda e o capital. Do mesmo modo, é fundamental que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento invista em meios de transporte mais eficientes, com o fito de diminuir o volume de produtos perdidos e, consequentemente, garantir que o consumidor final tenha acesso a eles. Além disso, campanhas nas mídias digitais devem ser usadas a fim de conscientizar o povo sobre a importância da redução do desperdício de alimentos. Assim, ao aniquilar o abutre das gritantes desigualdades sociais, conseguir-se-á mitigar a degradação do fígado da alimentação adequada – por meio da libertação do titã dos marginalizados, com o rompimento das correntes da miséria que os prendem aos rochedos do insucesso.