Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 10/05/2020
A Agenda da ONU 2030 é um documento internacional que estabelece diversas metas aos países signatários, como a erradicação da fome e a plena qualidade de vida a todos os cidadãos. No entanto, tais premissas não se concretizam de maneira uniforme ao redor do globo, haja vista o perigo em expoente da fome e da desigualdade social no século XXI. Sendo assim, convém analisar os fatores que corroboram a problemática, como a espetacularização da pobreza e a maximização do lucro.
De início, é imperativo ressaltar que a sociedade pós-moderna imersa no meio digital performático age como entrave no solucionamento dessas mazelas na humanidade. Para ilustrar, o filósofo francês Gilles Lipovetsky propõe que o homem contemporâneo sente a necessidade de se auto-promover através da mídia, expondo e hiperbolizando suas vivências. Nesse viés, ao passo que a desigualdade social, acentuada pela fome, é uma realidade em diferentes locais e países, os indivíduos que assistem à essa patologia utilizam recursos midiáticos para promoverem suas próprias interferências e boas ações diante de tal óbice, de modo a fomentar na construção de uma indústria cultural que nutre e cultua a pobreza extrema e seus respectivos heróis. Assim, urge que instituições engajadas em causas sociais mostrem-se ativas no real solucionamento dessa questão.
Outrossim, cabe salientar as ações essencialmente lucrativas das multinacionais como um dos agentes da problemática em debate. Para ratificar, o economista indiano Amartya Sen afirma que a fome no mundo globalizado diz respeito à má distribuição de verbas e alimentos, e não à escassez de recursos. Sob essa ótica, uma vez que as grandes empresas internacionais adotam medidas de maximização do lucro, esse fato acarreta na concentração de renda na posse de poucos, fomentando a desigualdade social. Com efeito, a disposição ineficiente de capital configura, em quadros extremos, o fenômeno da fome. Logo, é notória a necessidade de mudanças no quadro econômico mundial, com fito de mitigar as mazelas da desigualdade social inerente ao modo de produção capitalista.
Faz-se evidente, portanto, que o mal da desigualdade social e da fome hão de ser erradicados do globo. Para tanto, impende às ONG’s beneficentes, em parceria com veículos midiáticos, elaborar propagandas de cunho informativo que busquem denunciar às diversas populações as mazelas da “pornografia” da pobreza e das condutas não democráticas de distribuição de verba. Tal medida, com objetivo de conscientizar a população e promover mobilizações sociais, será realizada por intermédio de profissionais em mídia popular, capazes de dialogar de maneira sadia e efetiva com os receptores de diversas nações, os quais terão acesso às publicidades. Dessa forma, tornar-se-á possível atingir às metas preconizadas pela agenda da ONU 2030.