Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 14/04/2020
No filme espanhol ’’ O poço ‘’,prisioneiros são confinados em uma torre vertical e apenas podem se alimentar dos restos da comida do nível de cima.Na narrativa,fica clara a disparidade do luxo nos primeiros andares comparada a miséria dos últimos,analogamente a realidade.Fora do mundo distópico,a insegurança alimentar no Brasil é um problema e está intrinsecamente ligado a desigualdade social latente no país,seja pela má distribuição de recursos,seja pelo ainda pouco abrangente investimento governamental.
Em primeiro lugar,é de conhecimento da maioria,que desde 1988 está garantido na Constituição federal o acesso a todos a uma alimentação básica e de qualidade,entretanto não é um direito que a maioria detém.Neste contexto,contrariando a previsão malthusiana,o problema central encontra-se na má distribuição de recursos e não na escassez de alimentos como Malthus alertava.Sob esse aspecto, segundo a ONU ‘‘Organização das Nações Unidas’’ 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçados por ano enquanto 820 milhões de pessoas passam fome,fato que evidencia a negligência perante a abundância de alguns em detrimento de outros.
Ademais,segundo o filósofo Aristóteles ‘‘A pior forma de desigualdade é tentar fazer duas coisas diferentes iguais’’.Dentro desse âmbito,de maneira análoga ao seu pensamento,por mais que políticas públicas-como bolsa família e fome zero-alcançaram resultados positivos perante o cenário da fome, tais medidas não foram suficientes para erradicar a descomunal diferença de acesso e oportunidades que a desigualdade social acarreta aos mais desabastecidos,prova disso é que,segundo diretor da FAO(Organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura ), após sair do mapa da fome em 2014,o Brasil volta a preocupar no quesito segurança alimentar.
Portanto,medidas são necessárias para resolver o impasse.Sendo assim,uma fatia arrecadada pela Receita Federal deve ser destinada a programas de agricultura que apoiem pequenos fazendeiros e lavradores a vender seus alimentos a um preço menor,com intuito de com o apoio de ong’s(organizações não governamentais)servir almoços e jantares comunitários aos mais necessitados. Ademais,programas como bolsa família devem ser modificados com medidas que equiparem o acesso de pessoas carentes a uma alimentação de qualidade,uma alternativa viável seria retirar os impostos dos alimentos comprados nos supermercado para quem for cadastrado no programa, além de poder parcelar pelo cartão do benefício,sendo descontado automaticamente mês a mês.Talvez assim consiga-se garantir o direito humano à alimentação adequada e de qualidade,como exposto na constituição.