Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 15/10/2019
Produzido em 1989, o documentário “Ilha das Flores” retrata a dura realidade de um lixão em Porto Alegre, onde pessoas disputam alimentos com animais. Apesar de 30 anos terem passado, milhões de brasileiros ainda são condenados pela fome. Nesse sentido, entre os principais fatos que fomentam essa realidade destacam-se: a persistência da desigualdade social e a omissão do Estado na garantia dos direitos ao cidadão.
Em primeira análise, é inadmissível que no Brasil - segundo maior produtor de alimentos do mundo, mais de 5 milhões de brasileiros ainda vivam diante da desnutrição, de acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas para alimentação e Agricultura (FAO). logo, conforme destaca Josué de Castro na obra “geografia da Fome”, não se trata do quantitativo de comida produzida ou da quantidade de habitantes, mas da má distribuição das riquezas, concentradas cada vez mais nas mãos de menos pessoas, a qual afeta diretamente a manutenção da cidadania.
Dessa forma, a subalimentação é, em última análise, um reflexo da inércia do estado, pois ele é o principal responsável pelo bem-estar social, conforme destaca a filosofia contratualista de Jonh Locke. Nesse viés, ao não oferecer direitos básicos como a educação,forma-se um ciclo da pobreza, visto que sem escolarização, maior parte da mão de obra ocupará subempregos com baixa remuneração ou será desempregado. Assim, haja vista a falta de renda, o indivíduo é impedido de viver em em condições dignas, sobretudo, pela alimentação inadequada.
Desse modo, intervenções concretas devem ser executadas para reverter o lastimável panorama da fome exposto no documentário “Ilha das Flores”. Para tanto, o Governo Federal, deve firmar parcerias público-privadas por meio do incentivo fiscal a empresas que desenvolverem a produção de alimentos mais baratos. Além disso, a longo prazo, é necessário combater a extrema desigualdade social no país por intermédio, especialmente, da educação visto que conforme destaca Nelson Mandela “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”.