Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 09/09/2019
Em sua obra “Quarto de despejo", a escritora brasileira Maria Carolina de Jesus expõe a realidade contrastante dos que possuem poder aquisitivo e aqueles que permeiam a linha da miséria. Fora das páginas, é fato que as desigualdades econômicas provocam diversas problemáticas no que tange a uma adequada alimentação e sobrevivência. Desse modo, a persistência da luta de classes no sistema capitalista e suas consequências socioeconômicas merecem um olhar crítico e global de enfrentamento.
A princípio, reconhece-se como o modo de produção capitalista é o culpado pela criação de declives sociais alarmantes. Acerca disso, rememora-se o discurso do sociólogo alemão Karl Marx, que disserta que o fato sine qua non para existir pobres e ricos dentro de uma sociedade é a restrita possibilidade de ascensão social do proletariado à classe burguesa. Dessa maneira, é praxe que populações pobres continuem pobres ao logo das gerações, pois – para aqueles que não detêm os meios de produção – a mudança em sua realidade de vivência de forma meritocrática é inverossímil no sistema capitalista em vigor.
Além disso, as barreiras para que os mais pobres consigam aumentar seu poder aquisitivo são fortificadas pelas intempéries que esses, muitas vezes, enfrentam em seu cotidiano. De acordo com a Conferência Internacional “Rio + 20”, a fome é realidade na maioria dos países subdesenvolvidos. Logo, já que – consoante à “Quarto de despejo” – a fome é “amarela", ou seja, quando tem-se fome em nada mais se pensa além de saciá-la; é inconcebível acreditar que essas nações possam, sozinhas, sair de sua pobreza e de suas consequentes mazelas.
Destarte, é mister que ações globais sejam feitas a fim de amenizar essa problemática. Para tanto, faz-se necessário que a Organização das Nações Unidas crie um “banco de ajuda” que, por meio de auxílios monetários de nações desenvolvidas, possa mitigar o panorama da fome e, consequentemente, das desigualdades sociais existentes em países pobres. Dessa forma, é passível de concepção um mundo no qual menos pessoas vivam famintas, miseráveis, ou se sintam trancadas dentro de um “Quarto de despejo global”.