Feminicídio no território brasileiro

Enviada em 17/09/2022

O convívio harmonioso entre gêneros é uma necessidade salutar, mas ocorre aquém do esperado na sociedade contemporânea brasileira. Embora avanços sejam notados, cabe reconhecê-los como insuficientes em virtude da hierarquia social histórica e da negligência social sobre seus malefícios. Logo, torna-se imprescindível discutir novas metodologias ativas, a fim de revalidar a importância do combate ao feminicídio no país.

Com efeito, a sociedade estratificada, historicamente, corrobora para casos de agressões contra as mulheres. Sobre isso, durante a Idade Média, a dinâmica social era dividida em níveis hierárquicos porque, naquele tempo, a soberania masculina era absoluta e incontestável. Por esse viés, no cenário contemporâneo, a hierarquia social ainda se faz presente, haja vista a manutenção de tradições patriarcais e o medo de contestar a figura do homem agressor publicamente. Como prova disso, o Mapa da Violência 2015 aponta para cerca de cinco mil feminicídios por ano e pouca visibilidade na esfera pública. Dessa forma, a disparidade entre gêneros permanece e torna as relações sociais deficitárias.

Além disso, a negligência coletiva na problematização do feminicídio verifica-se como entrave. Nesse sentido, o conceito de “Banalidade do Mal”, desenvolvido por Hannah Arendt, revela o descuido dos malefícios em cenários caóticos. Em face disso, o preceito Arendtano repercute na sociedade brasileira, na qual normatiza casos de agressão ao sexo feminino, pois há maior preocupação em manter a convivência familiar intacta. Como evidência, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública contabilizou um aumento de cerca de 1% nos casos de feminicídio durante o isolamento social de 2020, necessitando de maior notoriedade dos seus males.

Portanto, urge uma mobilização atuante dos atores sociais diante dos casos de feminicício no país. Para tanto, a escola - responsável pela inserção social - deve elaborar projetos pedagógicos de abordagem direta sobre agressão contra a mulher, por meio do planejamento flexível ao calendário escolar, a fim de desconstruir as diferenças de gênero e despertando maior visibilidade social. Somente assim, será possível reverter o cenário patriarcal histórico e proporcionar uma convivência de gênero positiva na sociedade brasileira.