Feminicídio no território brasileiro
Enviada em 16/09/2022
“Eu vejo o futuro repetir o passado”. Essa frase, do músico Cazuza, representa a odierna perspectiva brasileira em relação às mulheres, que continuam sofrendo diariamente com a violência. Em meio ao consolidado cenário misógino e agressivo em que a sociedade se encontra, destacam-se os alarmantes números de feminicídios no país, que tornaram-se rotineiros devido ao preconceito à ineficiência do Estado.
A princípio, convém discutir sobre o preconceito envolvido na problemática. Conforme Albert Einstein, físico alemão, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Nesse contexto, entende-se que a misoginia, causa primordial dos feminicídios, está perpetuada no país há séculos. Diante desse histórico, é evidente que a sociedade tende a formar indivíduos que reproduzam esse preconceito, normalizando-o. “Futebol feminínio não tem graça”, “Quase bateu o carro em mim, tinha que ser mulher” e “Sexo frágil” são exemplos de dizeres populares que traduzem esse comportamento.
Em segunda análise, salienta-se que o Estado tem falhado no combate ao tema.
De acordo com o filósofo John Locke, as leis fizeram-se para os homens e não para as leis. Nesse contexto, é necessário considerar que a Lei Maria da Penha, exclusivamente, não foi suficiente para combater a violência contra a mulher. Além disso, outros instrumentos estatais desse combate se mostraram ineficientes, como as delegacias da mulher que não ficam abertas por 24 horas, por exemplo.
Assim, medidas devem ser tomadas para solucionar o entrave supravitado. Dessa forma, é preciso que o Ministério da Educação fomente campanhas de conscientização acerca do tema, que devem ser realizadas em escolas de nível fundamental e médio, por meio de palestras e divulgação dos canais de denúncia disponíveis. Paralelemante, pode ser criada uma “hashtag” para destacar a importância da discussão dessa questão na sociedade, que pode ser acompanhada de rodas de conversa em museus e parques. Com isso, espera-se diminuir o número de feminicídios ao longo dos anos.