Feminicídio no território brasileiro

Enviada em 14/09/2022

Na série brasileira “Coisa mais linda”, é retratada a situação das mulheres na sociedade carioca do século XX. Nesse sentido, a obra aborda a realidade do feminicídio e narra a história de Lígia, uma mulher controlada pelo marido. Fora da ficção, o homicídio motivado por gênero é um crime ainda presente no território brasileiro: a herança discriminatória histórica gera a insegurança feminina nas várias esferas sociais.

Nesse viés, é fundamental destacar o impacto do suposto ideal de superioridade masculina na ocorrência do feminicídio. Na cantiga popular “Terezinha de Jesus”, é demonstrada a histórica dominação do homem na sociedade brasileira, ao representar a dependência da mulher em relação ao seu pai, irmão e, posteriormente, marido. Desse modo, a desigualdade de gênero torna-se enraizada culturalmente: segundo a filósofa Hannah Arendt, a prática do mal de maneira cotidiana gera a sua banalização. Assim, a presença constante da discriminação feminina sustenta o crescimento dos índices de feminicídio.

Por conseguinte, o cenário de desigualdade resulta na insegurança das mulheres nos diversos meios sociais. Segundo dados da Agência Brasil, os índices de feminicídio subiram 22% durante o isolamento social na pandemia de Covid-19. Com isso, percebe-se que, mesmo no ambiente doméstico, diversas mulheres são submetidas à violência, o que revela a inexistência de um espaço de proteção total para a figura feminina.

Faz-se necessário, portanto, o implemento de medidas para mitigar o feminicídio no território brasileiro. Cabe ao Ministério das Comunicações, como agente de influência do pensamento popular, promover a igualdade de gênero no ideário geral, mediante a divulgação de propagandas, em mídias digitais, com dados acerca das consequências da desigualdade, com o objetivo de desconstruir a mentalidade discriminatória. Ademais, o Ministério Público deve incentivar projetos de ampliação de postos de denúncia de violência de gênero, com o apoio de instituições comerciais, para promover a segurança feminina. Somente assim, o cenário de “Coisa mais linda” não será a realidade das mulheres no Brasil.